Corrubedo-Campanha Verão Corrico

... para pescadores, caçadores e outros mentirosos

O Sítio do Pescador

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atsimoes
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Mensagem por atsimoes »

aranha Escreveu:va a ser sus vacaciones, y mina también, espero solamente que nadie yo las ruinas esta extremo-de-semana con los trabajos de la hora de los finales, va a ser LOCURA, sin la TV, TELEFONO y PC, sólo las Cañas y las rejillas :lol: :lol: :lol:

Nada mal .hehe. Nem eu sei falar assim. Não há que enganar, Los sargos e robalizas (não lubinas por aqui na Gaélica) ,que esperem pela brigada!!
As senhoras que preparem a forma fisica, pois os caminhos pedrestes do Corrubedo pela fresca matinal de um dia de Verão, desembocando em praias desertas de um areal branco imaculado, convidam á complacencia e repouso do Verão do nosso contentamento.Por fim umas nécoras e navajas a la plancha e uns perceves carnudos acompanhados de um albarinho das rias baixas farão o resto....
Até lá o tempo não se esgota, porque a partida é sempre um regresso.Por aqui viajando ....


Uma viagem á Patagónia Tierra del Fuego

Prefácio

Quanto vale uma viagem numa vida? O tempo suficiente para se viver numa intemporalidade perpétua que nos aprisiona e nos adormece para um sono eterno, ou apenas nos adaptamos á celeridade dos nossos passos , das nossas vidas pessoais, do nosso trabalho, onde apenas existem a rotina, o olhar cansado, vitreo, da mesma paisagem que observamos através da janela da nossa viatura a caminho de casa depois de um dia de trabalho??
Como viajante não abdico do sonho , de as minhas partidas serem iguais ás chegadas.Carregado de emoções, luzes,cores, cheiros de mares distantes e ventos gelados que se perpétuarão na minha memória ao longo da minha existencia.Essa é a minha maior fortuna. Venham daí comigo aos confins do Mundo!!

22 de Abril de 2007.
Não durmo há 36 horas, desde a chegada a Buenos Aires. No enorme condor que me transportou, observo a jovem tripulação Argentina, que amando a sua cidade anseiam pelo regresso. Eles tal como eu temos algo em comum.O regresso e a partida, todos nós temos algo que nos espera.
A chuva copiosa deste inicio de Outono , não me deixava deslumbrar o neon e as luzes desta fabulosa cidade de12 milhões de pessoas.Pela telefonia de um velho taxi, conduzido por um gringo de barba por fazer e cabelo melado, ouvia melancólicamente o trautear de um tango metalizado pelas novas culturas pós Gardel. Ti amo..Ti amo..meu amor...tactactac, ti amo....Perdido na cidade procuro pela noite dentro um Amigo que ficou detido na policia de emigraciones.Nada me demove pelo ultimo dos que ficam para trás...No cárcere encontro um jovem capitão, elegante na sua farda negra e pistolão á cintura , que calmamente me informa que terei de esperar mais doze horas pela informação de Portugal..No teu País, é domingo, alguem deve estar com una chica, hehe, esperemos, nada podes fazer.....
Estou sozinho a mais de 50 kms do hotel, não o abandonei, onde toda a comitiva já descansa tranquilamente.Observo a rotina daquela jovem policia, cuja função durante toda a noite foi beber chã de mate constantemente para eliminar a fadiga de um serviço de 24 horas ininterrupto.
O mate é um chã nacional Argentino, todos o bebem desde meninos, pelo que não é estranho observá-los bebericando minuto a minuto, pela mesma palheta, pelo mesmo copo em forma de abobora seca minuscula onde é constantemente renovado e coalhado de agua a ferver.
Sou interrompido pelo choque brutal de um golpe de karatê a um gigante Peruano de mais de 1,90 , que fica sem sentidos num instante.Fijo de una Puta!!Cabron!!Num salto toda a equipa mais o jovem comandante, o levam para o calabouço, algemado. Fico tonto e um nó cego se dá no meu estomago.Não acredito que esta foi a melhor recepção do País das pampas , da viagem da minha vida!!Não acredito!!
O capitão depois de todo ligado no braço, deixa-me entrar para a cantina e logo ali ficamos amigos para sempre.Numa oralidade mágica, explica-me que pelo Aeroporto de Buenos Aires passam mais de 70 mil pessoas dia, que tem um pelotão de trinta homens permanente e é formado em psicologia.Também sonha, também tem familia que o espera depois de uma noite de serviço.Diz-me que o seu sonho é comprar uma finca(quinta) a trinta kms da capital, com casa , luz agua e 3000 mtros quadrados de terreno por 23 mil euros.....Como ganha 450 euros mês, é impossivel de o fazer sem o dinheiro dos investidores estrangeiros.
Fala de politica, dos ladrões politicos, do crash de 2001, e que agora tudo o que se produz não chega para nada pois tudo está vendido ao exterior.O petróleo vendido pelo cabron do Menen aos Espanhois, a vergonha das Malvinas, a soja aos chineses, o vinho aos Americanos,Brasil, a carne para a Europa.
Na despedida desejo-lhe as maiores felicidades, num abraço apertado pela comoção da dureza do seu trabalho e pela sensibilidade como homem.

Buenos Aires já ficou para trás, uma cidade cosmopolita, enorme onde não conseguiria alguma vez viver.As pessoas são simpáticas, belas as Argentinas, doces e afáveis, mas demasiado stressante para se ter tempo para observar em paz e quietude, um periquito verde amarelo que se sedenta no rio da Prata, ou tranquilamente beber uma caipirinha numa esplanada á beira rio.Faz-me lembrar outras cidades Europeias, não há tempo para nada , nem nunca se está só.
As grandes casas internacionais de luxo estão á pinha de clientes, ferraris na rua e gente muito bem vestida, elegante onde incrédulo pergunto se isto é assim depois do crash de 2001 , como seria anteriormente....

24 Abril 2007

Levanto-me cedo, estou em Ushuaia, numa viagem de mais 3000 kms a sul, aqui o tempo flui conforme as estações do ano.São 8 da manhã e ainda é escuro como breu, desejo assistir ao nascer do sol.Flocos de neve encarapinham-se nos meus cabelos já brancos, formando caracois de algodão doce.Está vento , neva e um primeiro bando de patos selvagens bordeja o braço de mar, sob uma laguna tranquila onde já se avistam os cumes brancos da cordilheira andina do lado Chileno.Estou só e deslumbrado pelo que vejo .Pequenas casas de faia andina(madeira muito pesada e resistente), estão cobertas de neve, onde saltam coelhos bravos por entre os bosques de lenga e o calafate(planta rasteira, simbolo Nacional da pampa Argentina, de onde se retiram uns pequenos bagos parecidos com os mirtilhos) estão decorados pelas cores Outonais.A emoção é demasiada, tão longe, para assistir a estas latitudes de como a natureza é prodiga ,selvagem e intocável .As santolas do canal Beagle, são enormes, fazem-me lembrar e recuar no tempo há trinta anos atrás de como era a minha terra e o meu mar.
Os leões marinhos e as focas, fazem uma barulheira danada e os bandos de cormoráns pupulam nos recifes, onde o cheiro animal dos dejectos se mistura com a brisa marinha dos glaciares.
Estou tonto e feliz, á noitinha um belo jantar no Chez Manu, acompanhado por um portentoso chardonay 2004, da região de Mendonza, Norte da Argentina, aumentam-me os taninos acompanhando uma santola dessosada, acompanhada de uma vieira onde um belo e fresco mexilhão enorme se banha numa calda fervurenta entre um salmão selvagem e uma posta fresca de bacalhau do canal.Cá fora neva tanto que como uma criança tonta abro a boca ao vento e ás estrelas e como e bebo flocos de neve enormes , por onde acabamos todos numa guerra de bolas a saber a gelado de agua pura dos Andes.
O frio é tanto que em minutos no deck do barco, todas as minhas pilhas e baterias ficaram geladas e inoperacionais.Reparo pela primeira vez que uns olhos azuis celestes me cegam quando os comparo com o céu que tenho por limite no horizonte....Nada seria como dantes , o seu nome Mari Paz, seria a minha cegueira final.

26 Abril 2007

Calafate é uma pequena vila Suiça.Banhada pelo grande lago Argentino dos glaciares, tem uma rua principal onde novamente o bom gosto das casas internacionais de roupas e adereços de couro predominam com uma população muito jovem, excessivamente carregada de mulheres trazidas pelos beneficios fiscais e laborais dadas pelo governo para trazer gente da capital para estes remotos confins do mundo.Os ordenados são mais elevados( em média 450 euros, para os minimos nacionais de 250 euros da capital) As trutas selvagens são enormes, ninguem as vem aqui para pescar.Os Argentinos comem pouco peixe, por aqui os tribalistas de todo o mundo vem á procura do glaciar Perito Moreno. As lebres são enormes e por vezes cruzam-se com os velhos taxis durante a noite dentro da própria vila.A caça ao puma é permitida, pois existem em excesso e apenas matam cordeiros para ensinar as suas crias a caçar e sobreviver.
Por aqui não há árvores, o vento domina a planicie patagónica, onde a cavalo procuro com um jovem andino lebres e pumas para avistar.Pela noite adentro, o meu cavalo pára para beber no lago e ali , já sou um boiadeiro ou pampeiro, cantando uma melancólica melodia sobre o meu cavalo, o rio paraguai e a minha amada que não está presente, junto a uma fogueira e um violão....
O glaciar é impressionante, por entre bosques de faias, cascatas de neve derretida, parece avançar como um rio de lava branca lento,inexoravelmente imparável até se perder de vista ziguezaguendo por entre os vales e montanhas que sobem até ao céu.
É um momento solene, fecho os olhos perto , e ouço o rebentamento de enormes pedaços de gelo que caiem para o lago num estampido seco que me lembram as explosões da mina de agua da terra de meus pais.Fico para trás e não quero sair de lá, passam uns japoneses que tiram fotos a tudo, até a um recipiente do lixo, a bandeira Argentina desfraldada ondulando ao vento , os cumes brancos rodeando este monumento e património da humanidade onde somos demasiados pequenos perante a sua grandiosidade milenar.
O lago Argentino alimentado pelos glaciares é um dos maiores do mundo, a sua tonalidade é permanentemente verde leitosa, motivada pelas particulas minerais suspensas na agua provocada pela erosão do glaciar no seu leito rochoso. As trutas são pescadas á mosca, por raras equipas que aqui vem, suspensas na superficie em cardumes.O maior exemplar capturado e julgo que será de uma truta salmonada ou salmão (não percebi bem o que o guia traduziu) é de 12 kgs em Ushuaia.Pelos vistos nos inumeros lagos que visitei e rios transbordantes de vida , consideram os especialistas que estes troços truteiros apenas tem trutas pequenas de 1 a 2 kgs(!!) pelo que não justificam a deslocação dos Americanos e Franceses.

27 Abril 2007

A viagem está no fim, seria demasiado penoso para os meus queridos amigos e leitores escrever mais do que aquilo que senti, mas quero deixar para o fim um dos episódios mais enigmáticos que se passaram neste dia final.
Abordamos a Bahia Onelli, onde se esconde um bosque milenar andino, adormecido pelo tempo , pelos glaciares e pelo vento.O vento é o senhor das trevas ,na sua implacável lei, cujas rajadas furiosas no Verão atingem os 150 kms hora, dobrando e torcendo as arvores em posições dolorosamente vividas pela lei do vento que impune condena quem ousa viver acima do seu meio natural . Cada tronco tem uma obrigação medievel perante o seu senhor.Apodrecem no seu meio ,para que possam dar espaço a outra linhagem que se seguirá.
Fico para trás, o grupo já foge para o barco, todos tem de abandonar rapidamente o local , o vento está a chegar, chamam-me.António!António!!depressa!!depressa! O vento!!O vento!! Olho para trás e sinto que alguem me observa.Espiritos da montanha descem o vale a toda a pressa, sinto uma força impressionante que me gela e me diz algo num dialecto que ou é o vento fazendo das suas através dos buracos podres dos troncos caidos e musgos pendentes ao vento sussurrrando algo como...
António, és terra e pó,raposa que caça, castor que roi a mais dura casca, salmão fulgindo prata no rio, turfa besuntada na pele, és a lua, o sol e as estrelas, és un espirito yámana, indio, este lugar foi nosso, liberta-te e sê aquilo que o teu coração o é..Um espirito livre....
Sim, livre, vazio e seco, oco como uma casca rebentada pela sua raiz, sento-me num lugar do barco que foge á frente do vento.Olho para o céu e vejo os olhos de Mari Paz, cego fiquei , e se o céu é de facto azul ele tem um limite somente. Até á minha partida de Buenos Aires não mais fui o mesmo.


30 Abril 2007
A partida, já nada me diz, Buenos Aires e a sua incandescencia nocturna, febril, consumista nada me envolve.Vou uma ultima vez ao rio da Prata, onde num dia de sol Outonal, alguns pescadores lançam as suas linhas , como em qualquer parte do mundo.
Don´t cry for me Argentina..O condor levanta e já não vejo nada nem a cor dos olhos de Mari. Numa volta, numa ultima volta, o mar estrelado amarelo de Buenos Aires espraia-se pelo horizonte a perder de vista. Fecho os olhos e volto para casa.

Adeus Argentina, adeus Patagónia dos meus sonhos, adeus Mari.


António Simões,Leça da Palmeira, 6 de Maio 2007
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aranha
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Mensagem por aranha »

meu caro António Simões, por momentos parece que até a neve senti aqui em casa, belo relato de um dos locais dos meus sonhos, que apenas conheço por reportagens de pescarias no caza e piesca TV.

por acaso nao tem umas fotos para partilhar? :roll:
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bluemerlim
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Mensagem por bluemerlim »

Boas.


=D> =D> =D> =D>

Mais uma vez,suberbo,cbrigado.
Abraço.
Nuno
atsimoes
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Mensagem por atsimoes »

aranha Escreveu:meu caro António Simões, por momentos parece que até a neve senti aqui em casa, belo relato de um dos locais dos meus sonhos, que apenas conheço por reportagens de pescarias no caza e piesca TV.

por acaso nao tem umas fotos para partilhar? :roll:

Ter tenho mas não sei coloca-las. Na parte de arquivo aparece ficheiros mas não para colocar fotos, não sei como o fazer!!Alguém me pode ajudar??
Ou envio-as por mail para o Amigo Aranha.
[email protected]

Abraço
António Simões
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aranha
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Mensagem por aranha »

boas, se depois de ler este tópico restarem duvidas, pode enviar para mim que eu redimensiono.as e as coloco, no problem :wink:
http://www.pescador.online.pt/livre/viewtopic.php?t=744
atsimoes
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Mensagem por atsimoes »

Vamos a ver se é desta... Ushuaia final de Abril 2007 o Outono que chega aos picos do parque Nacional da Terra del Fuego(
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atsimoes
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Mensagem por atsimoes »

Iceberg do lago Argentino dos glaciares, desprendido de uma das suas frentes
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atsimoes
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Mensagem por atsimoes »

Frente de um dos inumeros glaciares
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