À tardinha, vendo o tempo abafadiço e a largar uns raros pingos, deu-me uma veneta e apesar de ter trabalho para fazer depois do horário normal, mandei-o "
às couves" e resolvi ir fazer um ou dois lançamentos. Daí estar a escrever estas linhas a esta hora... o trabalho foi "
às couves" mas voltou e teve de ser feito na mesma. Bom, voltando ao assunto em si, por volta das 19.20h fui directo a casa e sabendo que a janta estava atrasada, agarrei numa cana e num pacote de casulo que estava por abrir e faria amanhã (hoje) 1 semana (verifiquei que dava para aproveitar as cabeças), disse à patroa que ía ao mar e já voltava. Após um ligeiríssimo chinfrim

, ala que se faz tarde e ainda quero voltar para ver a nossa selecção jogar qualquer coisa.
5 minutos e chego à praia... barcos de pesca ao largo, vento leve e ligeiramente abafado SSE... o mar forte mas menos que ontem e tal como tinha observado fazia rião à borda, por onde passava um lindo esborralhado que só faltava ter "robalos" escrito. A maré já descia do cabeço, mas a descida era recente e portanto havia ainda muita água no rião. Montei as artes, isquei com 3 ou 4 cabeças de casulo (tive pena de não ter sardinha) e... truca... lançamento "à cagadinha". Cana na mão e tal, a estudar o trabalho do mar, que corria a Sul mas não o suficiente para arrastar a pesca. Com 1 auricular num ouvido, ouvi a Argentina marcar o primeiro da partida. Larguei meia-dúzia de impropérios

e desprezei a audição do jogo... já me estava a estragar a boa disposição. Passado um bocado, tiro a pesca para fora e só trazia uma boca de casulo no anzol. O isco estava já mole demais e aguentava pouco tempo no anzol. Toca de iscar mais e zás... lá para dentro... só um pouquito mais por fora. Bem, esta operação repetiu-se mais 2 ou 3 vezes... fui sondando o pesqueiro mas parece que não "
morava" por ali peixe. Fiz a última iscada com o resto de casulo que pude aproveitar e ainda lhe passei um pouco de elástico para segurar melhor, já que nesta derradeira tentativa lhe ía aplicar uma arroxada lá para longe, a tentar passar a primeira barreira de rebentação. Seria agora mais difícil, pois com o descer da maré a rebentação também recuou, e além disso o fio que trazia na madre do carreto não seria o melhor para uma distância muito longa... mas não perdia nada em tentar. Apesar de ultimamente ter andado a "
faltar aos treinos", lá lancei o melhor que pude e soube. Quer-me parecer que o peixe era guarda-redes

pois mal a pesca tinha chegado à água e já ele puxava

. Pelo bater suspeitei que era Sargo e com peso interessante. Fui enrolando como "
manda a sapatilha" e cá chegou fora um bonito Sargo. Pelos vistos o peixe andava por fora. Mas acabou o isco e... como diziam os antigos: "
Acabou-se o bicho portanto acabou-se a pessonha". Ainda vim a tempo de ver a 2ª parte da bola e jantar com a famelga.
Material:
Cana - Shimano Power Aero Twin Tip 4,5mts, com ponteira soft
Carreto - Shimano Ultegra (dos velhinhos)
Madre - Greased Weasel laranja (0,35mm) com +/- 11 mts de baixada de choque 0,45mm Falcon incolor
Empate - Sunset Amnesia Verde de 6,4kgs com anzol VMC n.º 1
Chumbada - Piramidal de 3 faces, 160grms
Isco - Casulo (fora de prazo)
Ilações de hoje:
[-o<
O "
pressentimento" foi bom, a leitura do mar também... na procura do peixe é que "
borrei os pés". Dadas as condições do isco que tinha disponível, decidi levar só 1 cana ao invés de 2, para que rendesse mais e para mais rapidamente me encontrar à pesca (e mais rápido desarmar e vir embora). Veio a revelar-se asneira e impediu-me de sondar a zona mais rápida e eficazmente. Neste caso (na minha opinião), dadas as condições apresentadas pelo pesqueiro, a estratégia correcta seria a de colocar logo de caras uma cana lá por fora e outra à beira, ir procurando e esperar qual marcaria peixe primeiro. Até poderia não sair mais nenhum peixe além deste sargo, mas pelo menos as dúvidas não me ficariam agora a

martelar na cabeça

. Digo isto não por ficar chateado por não trazer mais peixe para casa, longe disso. Digo-o por considerar pescar à cana uma arte e um desafio, que apesar de ter muitos factores por nós incontroláveis, indomáveis e imesuráveis

devemos tentar fazer cerco às melhores probabilidades de encontrar o peixe e capturá-lo (nem que seja para o voltar a libertar).
No fim, bom mesmo é estar na presença do mar e do céu. Se fôr à pesca, ainda é melhor!
