Infelizmente a maioria dos vídeos são feitos em mar de senhoras e isso ninguém pode desmentir, mas a realidade está muito longe disso, posso dizer-te que desde 2004 que pesco em condições que não lembram a ninguém de estar ali com um kayak.
O único inimigo que existe neste desporto é o vento, tudo o resto é muito fácil quando começamos a ter mais experiencia em pagaiar e manobrar a máquina.
Tens o exemplo que saiu na revista “O Pescador” deste mês, entramos no porto de abrigo e fizemos 7km até às falésias do Cabo Espichel, com um mar que de senhoras não tinha nada e uma viagem de regresso com o vento quase de frente, porrada e mais porrada renderam alguns sargos.
Como referi, o único inimigo é o vento, estudar bem a previsão do vento para o local de pesca é fundamental, eu já tenho uns anos disto e às vezes o vento obriga-me a puxar pelos cavalos todos, quanto a correntes e ondulação é tranquilo, desde que tenhas um kayak adequado, isso é o mais importante, ter a máquina certa para o local certo.
Com este novo modelo a motor, temos uma ajuda extra, mas a minha opinião como praticante deste desporto mantêm-se, barcos=motor, kayak=pagaia, mas que deve dar jeito tenho a certeza, por várias vezes ao longo destes anos dava tudo para aparecer o motor.
Não é nada difícil, existem pessoas que ainda não entraram no espírito deste desporto e esquecem-se de um pormenor, entramos sempre o mais perto possível do pesqueiro, o exemplo de Peniche é um deles, se eu quiser ir para a Papoa de barco tenho que entrar obrigatoriamente na rampa que todos conhecem, se for de kayak entro do lado Norte ao pé do forte, bem mais perto.
Desde que exista areia para não estragar o kayak é onde entramos, o resto é gaia na água e siga.
Vou deixar-te algumas fotos e vídeos para ficares mais elucidado, embora algumas fotos não mostram a realidade.
Cova do Vapor, o meu spot favorito, o local com mais corrente do Tejo, a água tem uma turbulência tão grande que só visto.
O pessoal na Papoa, eu sou o maluco do kayak amarelo que está mais a baixo, só tenho pena de não terem tirado fotos quando estava a 5 metros da pedra, neste dia pescava com um chumbo de correr com 10g com iscadas de camarão vivo e como tinha tudo leve tinha que me aproximar o suficiente para colocar 10g na espuma.
Ponte Vasco da Gama, fomos às corvinas e tínhamos a certeza que ia levantar uma nortada, mais parecia que as portas do inferno se abriram.
Ouve malta que não arriscou ir mas o nosso amigo Ramos quis ir, e aqui temos a prova da diferença entre os kayaks, ele tem um BIC e quando fomos embora demorou 15 minutos para fazer 50 metros que é a distância que separa um pilar de outro.
Resultado, passamos o material todo para o meu kayak e o Nuno rebocou o BIC, e reparem que vão os 2 a remar e o Nuno a pedalar, tivemos que fazer 1km com estas condições, se o Nuno não tivesse presente tinha que ficar na água com o Ramos até passar o vento porque ele não tinha forças para remar nem mais 1 metro.
Eu sempre tive barco, tive barcos em fibra abertos e cabinados, depois mudei-me para o semi-rígido e troquei isto tudo pelo kayak, o kayak tem um comportamento muito parecido ao do semi-rígido como é muito baixo e tem um centro de gravidade muito baixo acompanha os movimentos do mar, não abana como um barco de proa aberta.
O meu conselho é muito simples, tentar aparecer nos nossos encontros semanais e dar uma volta nos variados modelos do pessoal, assim todos podem ter a certeza do que falo antes de fazerem a asneira de comprar “coisas” que não são para praticar este desporto.
Abraço