Sustos na pesca
Enviado: sexta jan 04, 2008 4:59 pm
Olá pessoal,
Fica aqui um episódio que me aconteceu, e que o mesmo possa servir de aviso ou alerta para os amantes da pesca desportiva, como é o meu caso.
Por vezes julgamos que os acidentes só acontecem aos outros, que nós até somos bastante cuidadosos, que cumprimos á risca os procedimentos de segurança blá blá blá e quando menos esperamos, bate-nos á porta.
Domingo 23-12-07 combinei uma pescaria na arrábida com o meu cunhado. Levei duas canas para pescar ao fundo, e como já tinha mergulhado naquela zona há uns anos, levei uma terceira cana para polvos e safios. As duas canas ao fundo não deram sinal, apenas a cana pequena tocava o guizo: primeiro um polvo, a seguir outro polvo, depois um safio, e quando já tinhamos quase tudo arrumado para vir embora, eram cerca das 23h00 a cana bateu de novo. Comecei a recolhê-la, e deparo-me com a linha bamba ( solta ) pensei: é mais um polvo grande que ali está...á medida que o fio estica, sinto pancadas fortes e vi logo que não se tratava de polvo, mas sim de um animal de grande porte.
Um peso enorme, e quando descobriu á superficie, vi então a boca e cabeça de um enorme congro, que se torcia na água mostrando então um dorso brutal. Nunca tinha visto ao vivo nada igual, já pesquisei na net, e seria certamente um animal para cima de 20kg. Estava a cerca de 4/5 metros de distância da água, gritei ao meu cunhado para me segurar na cana enquanto eu com a linha 0,90 na mão, tentava passar para cima das rochas e evitar que o peixe fosse ás rochas, e não roçar com a linha, na tentativa de o levar para um local onde tivesse oportunidade de lhe chegar e dar umas navalhadas. Ao passar para as rochas, segurei-me num ferro que outrora servia de varandim, e quando lhe deito a mão, vem o ferro e uma "sapata" de cimento atrás de mim para a água. Um mergulho de 4 ou 5 metros, e o bater nas rochas antes de chegar á água. Não me recordo de ter batido nas rochas, mas as mazelas que ainda tenho não me deixam esquecer. Apenas recordo o meu cunhado aos gritos, e de ter batido na água e sentir o gelo que tava. Tambem me lembro de tentar proteger a cabeça para não bater nas pedras. Ainda hoje não sei onde fui buscar forças para trepar as rochas e sair da água, foi uma sorte não ter batido com a cabeça, e o mar não estar agitado com corrente. Conclusão, 2 polvos de +/- 1,5k cada um, um safio com 6,3k, mãos, braços e pernas esfoladas e com escoriações, e um susto enorme. Valeu o meu cunhado ter levado outra muda de roupa, pois entrei num estado de hiportermia, note-se que na viagem para casa o carro marcava 5 graus. Enfim, posso dizer que tive uma grande prenda neste natal ( estar vivo ). Vim a saber depois que no mesmo local morreu um rapaz de setúbal.
Voltei lá no outro dia pra recuperar a cana e carreto...passadores todos partidos etc
A mim serviu-me de aviso, por vezes nem damos conta do perigo que corremos, quando tudo corre bem parece que nada é perigoso, mas quando nos vemos numa situação destas, temos a consciência que a vida está por um fio.
É evidente que não estou livre de outros acidentes, mas pelo menos terei na memória o que me aconteceu, e tentarei ao máximo não facilitar as coisas, e jogar mais pelo seguro, peixe há muito, e a vida é só esta.
Abraço
Rui Fernandes
Fica aqui um episódio que me aconteceu, e que o mesmo possa servir de aviso ou alerta para os amantes da pesca desportiva, como é o meu caso.
Por vezes julgamos que os acidentes só acontecem aos outros, que nós até somos bastante cuidadosos, que cumprimos á risca os procedimentos de segurança blá blá blá e quando menos esperamos, bate-nos á porta.
Domingo 23-12-07 combinei uma pescaria na arrábida com o meu cunhado. Levei duas canas para pescar ao fundo, e como já tinha mergulhado naquela zona há uns anos, levei uma terceira cana para polvos e safios. As duas canas ao fundo não deram sinal, apenas a cana pequena tocava o guizo: primeiro um polvo, a seguir outro polvo, depois um safio, e quando já tinhamos quase tudo arrumado para vir embora, eram cerca das 23h00 a cana bateu de novo. Comecei a recolhê-la, e deparo-me com a linha bamba ( solta ) pensei: é mais um polvo grande que ali está...á medida que o fio estica, sinto pancadas fortes e vi logo que não se tratava de polvo, mas sim de um animal de grande porte.
Um peso enorme, e quando descobriu á superficie, vi então a boca e cabeça de um enorme congro, que se torcia na água mostrando então um dorso brutal. Nunca tinha visto ao vivo nada igual, já pesquisei na net, e seria certamente um animal para cima de 20kg. Estava a cerca de 4/5 metros de distância da água, gritei ao meu cunhado para me segurar na cana enquanto eu com a linha 0,90 na mão, tentava passar para cima das rochas e evitar que o peixe fosse ás rochas, e não roçar com a linha, na tentativa de o levar para um local onde tivesse oportunidade de lhe chegar e dar umas navalhadas. Ao passar para as rochas, segurei-me num ferro que outrora servia de varandim, e quando lhe deito a mão, vem o ferro e uma "sapata" de cimento atrás de mim para a água. Um mergulho de 4 ou 5 metros, e o bater nas rochas antes de chegar á água. Não me recordo de ter batido nas rochas, mas as mazelas que ainda tenho não me deixam esquecer. Apenas recordo o meu cunhado aos gritos, e de ter batido na água e sentir o gelo que tava. Tambem me lembro de tentar proteger a cabeça para não bater nas pedras. Ainda hoje não sei onde fui buscar forças para trepar as rochas e sair da água, foi uma sorte não ter batido com a cabeça, e o mar não estar agitado com corrente. Conclusão, 2 polvos de +/- 1,5k cada um, um safio com 6,3k, mãos, braços e pernas esfoladas e com escoriações, e um susto enorme. Valeu o meu cunhado ter levado outra muda de roupa, pois entrei num estado de hiportermia, note-se que na viagem para casa o carro marcava 5 graus. Enfim, posso dizer que tive uma grande prenda neste natal ( estar vivo ). Vim a saber depois que no mesmo local morreu um rapaz de setúbal.
Voltei lá no outro dia pra recuperar a cana e carreto...passadores todos partidos etc
A mim serviu-me de aviso, por vezes nem damos conta do perigo que corremos, quando tudo corre bem parece que nada é perigoso, mas quando nos vemos numa situação destas, temos a consciência que a vida está por um fio.
É evidente que não estou livre de outros acidentes, mas pelo menos terei na memória o que me aconteceu, e tentarei ao máximo não facilitar as coisas, e jogar mais pelo seguro, peixe há muito, e a vida é só esta.
Abraço
Rui Fernandes