Casca-mole é o termo utilizado pelos pescadores para designar várias subespécies de caranguejos que ao crescerem perdem a carapaça e a nova não solidifica.
Na fase do amolecimento que amolece, os caranguejos, atraem todo o tipo de peixes. De onde poderá vir tal atracção, quando estes caranguejos, quando com a casca dura, mesmo descascado, não são grande isco?
Como outros crustáceos, o caranguejos crescem por etapas e amolecem vária vezes ao ano. Este crescimento é comandado por um hormona e é a excreção desta na água, que revela e atrai os peixes para a presença dos caranguejos de casca mole.
Encontrar de dia, caranguejos de casca mole não é lá muito fácil. É necessário procurar nos seus locais de refúgio habituais : poças de água na maré baixa, por baixo das rochas, (1) sondar debaixo de grandes quantidades de algas, prospecionar todos os canais e flancos dos pontões rochosos ou das margens dos estuários, etc..
Os caranguejos podem conservar-se, sobretudo sem ficarem muito apertados, na gaveta dos legumes do frigorifico, quer dentro de uma caixa de plástico com algas no fundo, quer dentro de um pedaço de sarrapilheira húmida.
Sendo das espécies mais comuns no nosso litoral, escolhi como exemplo o caranguejo verde (Carcinus maenas), foto acima, por forma a facilitar a apresentação que se segue.
Carcinus maenas é um caranguejo muito comum do nosso litoral, e é uma importante espécies invasora. Ele está listado entre as "100 piores espécies exóticas invasoras do mundo "
C. maenas é conhecido por nomes diferentes em todo o mundo. Nas ilhas britânicas, é normalmente referido como a caranguejo da costa.
Na América do Norte e na África do Sul, tem o nome verde, caranguejo verde ou caranguejo europeu. Na Austrália
e na Nova Zelândia, é referido quer como o caranguejo europeu ou caranguejo verde da costa.
Ecologia
C. maenas podem viver em todos os tipos de zonas marinhas e estuarinas em habitats, com lama, areia, pedra ou substratos, vegetação aquática submersa e emergente, pântano, etc.,. C. maenas é euryhaline,(organismo que são capazes de se adaptar a uma vasta gama de salinidades) o que significa que eles podem tolerar uma ampla gama de salinidade (de 4 a 52 0/00) e sobreviver em temperaturas de 0 ° C a 30 º C . A vasta gama de salinidade permite aos
C. maenas sobreviverem na menor das salinidades encontradas em estuários.
As fêmeas podem produzir um máximo de 185000 ovos e as larvas desenvolvem-se ao largo em várias etapas.
Os jovens caranguejos vivem em prados de algas marinhas, por exemplo, na foto ao lado, Posidonia oceanica, até atingirem idade adulta.
Iscar
Os caranguejos de casca mole, são para mim, um dos melhores iscos que se podem usar, o isco “milagroso” pois todos os peixes o apreciam.
Para preparar os caranguejos para iscar, remove-se a carapaça superior, bastando para isso retirar a placa protectora que tem no abdómen, usar o bico de uma faca no lado oposto aos olhos, na separação da carapaça com o abdómen
( é um local preciso com a forma de um V e ligeiramente côncavo) e fazer pressão para a carapaça sair.
Iscam-se então com a carne branca e cheia de filamentos rijos que se encontram de cada lado do caranguejo,
nas partes interiores que controlam as pernas, com ou sem estas.
Os caranguejos podem ser usados inteiros ou em partes, depende do tamanho do animal ou do anzol. Quando são utilizados inteiros, os caranguejos devem ser atados ao anzol por fio elástico para o segurar durante o lançamento. As patas e as tenazes podem ser usadas em separado. Quando utilizado em duas ou mais partes e depois de atados também, deverá acrescentar-se umas patas ou pinças para parecer mais natural, devendo ter sempre o cuidado de deixar o bico do anzol a descoberto. A iscada ao entrar na água, liberta os sucos e óleos, constituindo assim também um eficaz engodo.
Outras maneiras haverá de fazer uma boa iscada, deixando á imaginação de cada um a forma de o tentar.
(1) Faço aqui uma chamada de atenção, na zona litoral, as rochas e pedras, são um ecossistema único e muito rico onde vivem milhares de pequenos organismos vivos, larvas e plantas indispensáveis á vida de todos os outros animais marinhos. Quando levantamos uma pedra e a viramos, expomos ao ar e ao sol muitos destes seres minúsculos, que assim pouquíssimo mais de tempo terão de vida. Deverá por isso ter o cuidado de voltar a colocar as pedra na mesma posição em que as encontrou. É um pequeno esforço que pode salvar a vida de muitos animais. Se não destruir a fauna e a flora de um lugar , pode estar certo de que em poucos dias outro habitante irá ocupar o lugar do caranguejo que apanhou.
Paulo karva
