O mar, apesar do mesmo era outro, mais generoso... ou éramos nós homens menos mercenários e mais respeitadores da sua complacência, da sua vontade de oferecer. Seja o que for, algo está profundamente errado.
Lembro-me de quando entravam as Fanecas no pesqueiro, toda a gente ficar aborrecida. Não saíria mais nada. "Peixe para doentes" dizia-se. O Sargo, apesar de apreciado, era observado com algum desdém. Reis eram o Robalo e o Congro... rainhas eram a Corvina e a Dourada. Com alguma frequência, escaramuças havia entre algum pescador mais afoito e um Cação que se atravessasse no seu caminho. Lutas titânicas... horas de suores e aflições cuja única testemunha era o mar. Imparcial? Nem sempre. Ora por vezes ajuda um lado, e por vezes ajuda o outro, mas nunca se submetendo ao pedido de ninguém.
Hoje em dia dói-me ver que não se respeita o mar, principalmente quem dele vive. Se a minha fonte de vida e rendimento para a sobrevivência fosse o mar, decerto que o respeitaria e estimaria, pois disso dependeria o meu futuro. Tal como um agricultor cuida do seu terreno, um pescador deve cuidar do mar, não o envenenando nem o explorando até à exaustão. Pelo contrário, deve sim cuidar dele, mantendo-o fértil e viçoso, de modo a sempre poder colher mais e melhores frutos.
Os Robalos hoje em dia são cercados, com redes de fuga impossível, e capturados aos milhares. Ficam brancas as águas e os convés dos barcos, resultado de um último extertor reprodutivo destes combatentes prateados que nem hipótese tiveram de deixar prole. E para quê? Para que por míseros tostões os despachem para terras de Leão e Castela, Roma e Sardenha.
Vão lambendo os dedos enquanto podem... em breve e breve será o desfecho!!!
... nem por 30 dinheiros...!!!
p.s.
Desculpem-me as "gramáticas" mas depois de mais umas que aprendi hoje, tinha de arriar a saca de qualquer maneira.
