Quando me refiro a esta já ter cabelo, estou a referir-me a estas pescarias já terem nada mais nada menos que 12 anos (setembro de 2001) e ao facto de eu, há data, ainda ter uma farta cabeleira (farta se calhar é exagero, mas tinha cabelo
Ora, durante umas férias nos Açores, encontrava-me eu na ilha Terceira, e como sempre que vou de férias, levo as canas atrás, lá me entretive a pescar ao fundo. Iam saindo uns peixes balão, uns besugos, umas garoupinhas, e uns peixes vermelhos com olhos enormes que nunca vim a saber o nome. Estava a utilizar bicha coreana que tinha trazido do Continente e lá me fui entretendo. Entretanto vejo um pescador ao spinning aos carapaus com um aparelho próprio para eles, achei aquilo curioso e no dia seguinte fui comprar um aparelho para os carapaus e fiz o mesmo, engatando vários ao mesmo tempo que ia corricando e também uns peixes prateados achatados que penso serem da familia dos xaréus. Foi muito divertido e novo para mim.
Um dia à tardinha, na praia da vitória, estava eu com a cana a dar banho à bicha, aproximou-se de mim um senhor que se apresentou como vendedor (do quê já esqueci) e que era do Continente mas andava de ilha em ilha a vender os seus produtos, de maneira que uns dos entretenimentos dele, embora não sendo pescador, era observar os pescadores a apanhar uns peixes. Fomos dando duas de letra, quando ele me pergunta com o que estava a pescar, "com bicha coreana que trouxe do Continente" disse eu. Então eles explicou que ali naquela praia deveria experimentar um isco que já tinha visto os pescadores locais a usar. Quando ele me disse para comprar um determinado queijo da ilha (com casca vermelha) fiquei na dúvida se estaria a brincar comigo ou se estaria a falar a sério
No dia seguinte lá fui eu comprar o queijo, quando a minha mulher soube para que era o queijo achou interessante, não sei se foi interessante de "até pode funcionar" ou interessante "não estás bem da cabeça"...
Ao entardecer lá me dirigi ao molhe da praia, levei a cana de bóia, e coloquei um pedacinho de queijo, com a parte vermelha da casca do queijo também, no anzol. Estava eu a olhar para a bóia a pensar "que figura de urso estou aqui a fazer" quando sou surpreendido pela bóia a desaparecer num ápice para dentro de água, ferro o peixe e sinto uma luta tremenda, pouco tempo depois lá vejo o bicho a estrebuchar à tona da àgua, tento tirar o peixe em peso, mas, pois sim, a cana bem vergava mas levantar o peixe é que nada. Pedi à minha mulher para segurar na cana e desci as pedras para tirar o peixe com a mão. Cheio de adrenalina e a tremer por todos os lados lá trouxe um belo sargo para cima.
Assim continuei a sacar uns peixes e a devolver à água exemplares que se fosse aqui o pessoal diria que não estava bom da cabeça, mas o que raio iria fazer com tantos peixes? Trouxemos 2 sargos para o jantar e uma recordação de uma pescaria aos sargos com queijo da ilha terceira. E ainda por cima o queijo é bem bom... não só para os sargos.
Deixo aqui uma foto que tirei na altura a uns dos peixes que trouxe para o jantar:

Um abraço
