Quando se vai à pesca de barco-
Quando vamos à pesca de barco com amigos, há sempre uma tendência enorme para começar a preparar o material muito cedo.
Eu não recomendo que se faça isso. A calma, para a pesca, é um estado de espírito fundamental para obter bons resultados.
Temos muito tempo para preparar o nosso material! Ou seja, ele já está preparado de ante-mão. O carreto pode estar já fixo na cana, o fio passado pelos passadores e uma argola na ponta do fio com uma pérola de protecção e o detorcedor já preso na linha. Tudo isto estará no nosso saco de canas. Se a cana for em dois ou três elementos, a linha é fixa com umas rodelas de elástico aos elementos da cana, e será muito rápido colocar o conjunto em acção de pesca.
Para os aparelhos há umas rodelas de espuma rigida, tipo corpo de roldana, onde o aparelho vai todo enroladinho nessa rodela, fixo nas duas extremidades com alfinetes de prender documentos de papel em placardes de corticite.
Quando o enrolamento do aparelho é feito com cuidado, devemos colocar uma etiqueta com alguma coisa escrita, que nos faça recordar as caracterrísticas do aparelho, tal como fios, medidas e anzois. Isso pode estar guardado numa pequenas saquetas ou caixas estanques, com um pouco de farinha de milho ou trigo, que absorvr humidade, para os anzois não enferrujagrem (talco dá cheiro).
Para colocar o aparelho na linha da cana, retiramos a primeira argola da rodela de espuma e prendemos no colchete da linha principal, deixamos desenrolar o aparelho, porque sabemos que os anzois devem estar cravados de fora para dentro da roldela, e quando cheganos à última argola do aparelho, colocamos a chumbada que está no nosso bolso.
Com esta acção ficamos com o equipamento em acção de pesca em cerca de um minuto. Quem está ao nosso lado e não conhece este procedimento fica logo com os “olhos em bico” e nós impomos o respeito pela competência.
Há que treinar em casa!!!
Agora as iscas:
Na nossa mala térmica deve estar tudo preparado. As iscas devem ir todas preparadas (descascadas excepto o camarão) e em caixas de fácil acesso. Uma boa sugestão é a utilização de uma caixa tipo aperitivos que tem vários compartimentos. Um pequeno grampo de fixação que permita por intermédio de rosca rápida fixar a nossa cixa de iscas em local acessível e que não ande aos trambulhões é meio caminho andado para um bom resultado.
Nos dias em que o peixe anda a mamar e ripa as iscas, devemos travar as iscadas com um pequeno pedaço de camarão no final (em cima da farpa do anzol), ou então usar uma linha elática para ajudar a prender mais as iscadas. Se quisermos fazer algo mais técnico e levarmos cazulo, o cazulo deverá ir para a linha por cima do anzol e isso só se consegue com uma agulha de iscar. Eu raramente uso isso, mas em locais de pouco peixe, dará resultados positivos.
Equipamento suplementar:
Quando existe algém na família que tem habilidade para a costura, eu faço a sugestão de que umas luvas de tecido fino e um pouco elástico sejam preparadas deixando metade do pulgar, do indicador e do médio descobertos, em ambas as mãos. Isso permite uma rapidez enorme a iscar e a pegar no peixe capturado para desenfarpar.
É que quando está peixe no fundo, não convém perder tempo. Um avental tipo cozinha, com um bolso para o desenfarpador permite que tudo esteja à mão e ainda podemos pendurar à cintura o pano para limpar as mãos ou apenas os dedos.Agora a acção de pesca:
Eu sempre gostei de ir movimentando a cana com movimentos lentos e suaves para incitar o peixe a picar. Se o mar estiver alto, isso não é necessário porque os movimentos do barco fazem o trabalho por nós.
Há que ter a noção que às vezes é preciso ir mudando alguma coisa para percebermos o que o peixe está a querer nesse dia. Ou trocar a ordem das iscas, ou alterar o aparelho para baixadas mais curtas ou mais compridas, deixar a linha em tensão ou deixar fazer alguma barriga, largar logo junto ao barco ou projectar o lançamento alguns metros para frente, enrolar o carreto algumas voltas e depois desenrolar para perceber se o peixe está a picar no fundo ou um pouco mais acima.
Devemos inventar, mas usando sempre a inteligência e permitindo divagações do pensamento por todas as hipóteses que façan sentido e tenham lógica.
Antero Braz da Silva
