Todos sabemos o quanto é de destaque o lugar que a "linha" ocupa em todo o conjunto de pesca.
Para que tenhamos algumas ideias sobre este componente tão fundamental e ao mesmo tempo tão subjectivo, vou colocar aqui alguns apontamentos sobre o mesmo e que juntamente com os conhecimentos de todos vós poderão ajudar os que agora vão iniciar.
Assim sendo, no acto da compra da linha para o nosso carrete devemos ter em conta vários aspectos...
Nos últimos anos assistimos a um “boom” de marcas, cores, estruturas, diametros, resistencias, tratamentos, etc etc etc. Alguns destes aspectos quando bem conjugados e compreendidos podem produzir a melhor escolha para o nosso tipo de pesca. De todos eles convém reter um que acho muito importante e possivelmente desconhecido por alguns, a cor. Para quem não sabe, todo e qualquer aditivo para dar cor à linha é considerado "impureza" na estrutura da mesma! Por isso e segundo as marcas especialistas na produção de linhas de pesca, quanto mais cor tiver a linha, ou seja, uma cor mais forte, mais impura é e menos resistente é quando comparada com a mesma linha mas sem aditivo de cor. Já para não falar no efeito abrasivo do sol e dos raios UV nas linhas com cor…
Então porque se produz linhas com as mais variadas cores? Principalmente pelo efeito visual ao consumidor! Todos sabemos que uma bobine fica mais bonita de vermelho (contra mim falo que sou do SCP) do que de branco (cristal).
Mesmo as grandes marcas e defensoras deste dado têm linhas com cores “fortes” mas o facto justifica-se por um lado pela sua utilização de noite facilitando a visualização, e por outro, pelo efeito de “camuflagem” que em certas modalidades justifica a “perda” de pureza da linha.
Linha já na bobine e “crise à porta”
Passando agora aos estralhos e a linha que utilizamos, convém dividir com é óbvio em dois tipos: nylon e fluorcarbono.
Nylon, muitas vezes comprado pelo rótulo onde por vezes não se lê bem… Para além de muitos rótulos contarem as maiores mentiras, quer no diâmetro quer na carga de ruptura, convém referir que a carga anunciada (quando bem anunciada) refere-se à resistência linear e é aferida por testes que se resumem a puxar a linha e registar o peso que a mesma aguentou no momento da quebra. Todo o teste é feito sem nós e “sem peixe”, por isso, não aguenta nunca um peixe de X kg…
E mesmo que assim fosse, convém referir que um nylon quando submergido por mais de 1h-2h perde cerca de 10% a 15% da resistência sendo esta percentagem menor se o nylon for coberto por fluorcarbono (os ditos fluorcoated). A juntar a isto podemos colocar menos % de resistência devido ao nó aplicado na mesma… O “peixe que a linha aguenta” já vai ficar bem mais pequeno
Fluorcarbono, fundamentalmente utlizado em estralhos tanto pela “invisibilidade”, pela forma mais rápida como afunda ou mesmo pela sua rigidez. O fluorcarbono ao contrário do nylon não é afectado pela luz solar (isto quando é puro) e também não absorve água (o que mantem o valor da resistência linear/nó quando submergido). Para além destes aspetos, a sua resistência à abrasão e seu intervalo de tolerância a temperaturas extremas tornam-no numa “super linha” para as mais difíceis condições de pesca não nos esquecendo que terá sempre menos resistência linear que um nylon da mesma espessura …
Abraço a todos
