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Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: sexta mai 16, 2008 8:25 pm
por tomachado
Excelente. Parabéns amigo Júlio.
Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: sexta mai 23, 2008 2:01 pm
por Carpa Real
Parabens pela historia e a narrativa que está fantástica... =D> =D> =D>
Carpa Real
Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: quarta jul 30, 2008 2:25 pm
por Farcintra
Normalmente sou pouco dado a este tipo de tópicos nos foruns, gosto mesmo é de falar de pesca. De como enganar aquele robalo que me faz perder o juizo, de qual o anzol apropriado para pescar naquela pedra coberta de perceves e submersa de sargos etc etc.
Mas esta história (que já tinha lido mas fiz questão de ler outra vez) levou-me a comentar, isto porque sou um pescador essencialmente de falésias. Costumo dizer que o perigo não existe, nós é que o fazemos. Como frequentador assiduo das falésias sei que ninguém está 100% seguro, eu proprio quando era mais puto cai ao mar apenas porque uma parte da pedra onde pescava partiu-se. Sorte estar maré cheia e o pesqueiro ser relativamente baixo, caso contrario...
Bem sei que arrisco em demasia para alguns e que para outros só vou para pesqueiros de senhoras mas não queria deixar de colocar alguns conselhos:
- Se não se sentem bem em pescar nas falésias, desistam, há tanto sitio para pescar
- Se não conhecem o sitio, todo o cuidado é pouco, experimentem o piso antes de começar a andar
- Mão sempre livres e bom calçado, quer na descida, quer na subida, (Os tennis fizeram-se para correr e não para andar sobre falésias)
- Roupa confortável que não atrapalhe movimentos
- Evitem ir sozinhos, e tentem ir com pessoal tanto ou mais experiente que vocês.
- Se tiverem em sitios baixos, olho na cana-boia outro no mar, de mar quase parado de repente pode vir uma daquelas
- Caso vejam que uma onda vos vai molhar, não fujam, encolham-se e tentem agarrar a algo fixo
- Escolham pesqueiros onde tenham espaço para se movimentarem (um toque com o cú da cana é suficiente para ir parar lá abaixo)
- Não vão para o sitio A, B ou C só porque o vosso amigo vai e se ele vai vocês também têm de ir
O peixe e a pesca leva-nos a loucuras que atrás dum computador nem sequer sonhamos. Tantas vezes ouvi: "Epá és maluco vais para ali?? Eu nem morto" e agora não querem sair desses sitios.
Abraço e bem hajam
Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: quarta jul 30, 2008 9:45 pm
por toalhas
Nem mais Filipe, todo o cuidado é pouco e o peixe não vale uma vida =D> =D> Mais vale não facilitar.
Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: quarta jul 30, 2008 10:52 pm
por Carpa Real
=D> =D> =D> =D> =D> =D>
Carpa Real
Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: quinta jul 31, 2008 9:55 am
por Ramiro
Exactamente Filipe. Nunca é demais insistir nos cuidados e caldos de galinha.
Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: quinta jul 31, 2008 8:53 pm
por tomachado
Amigo Filipe.
As chamadas de atenção nunca são de mais e veem sempre em boa altura

Re: O Antonio era bom pescador...
Enviado: segunda nov 30, 2009 1:29 am
por JoseVieira
JMig Escreveu:O Antonio era bom pescador, bom pai e um filho extremoso!
Meio século de vida e só uma vez pescou com o Manuel, seu progenitor e companheiro de infortúnio.
O Antonio nunca pescou na praia. Sempre arriscou naquela escarpa que parece encantar e ao mesmo tempo avisar de que nem só o mar nos atraiçoa.
Na primeira pescaria com o Manuel, há muitos anos atrás, foi de mão dada até ao rio e pernas a tremer com a emoção de ser guiado pelo pai como se fosse viajar pelo mundo! Foi um dia magnífico! Os bordalos atiravam-se ao anzol com a sofreguidão da broa de milho feita isco, na sombra do salgueiro meio submerso! Trinta peixes e uma felicidade imensa de entrar na aldeia com eles pendurados num junco.
Aquela vez, seria a segunda.
Pai, sempre vai comigo à pesca?! Agasalhe-se que eu passo aí às oito.
A noite caíra e com ela a neblina típica de alguns dias de Inverno.
O Manuel foi bem agasalhado, embora nenhum agasalho o confortasse das mazelas sofridas por anos de trabalho duro.
As pedras imponentes, marcos para a história, esperavam os incautos.
Pé ante pé, pisaram com cautela a armadilha bem montada. Repentinamente o chão fugiu debaixo dos pés do Antonio como se fosse possível flutuar. Lembra-se de pensar no pai e depois disso só escuro. Bateu desamparado e resvalou até á água como que impulsionado por uma mão misteriosa que lhe pretendia sugar a vida. O Manuel gritou. Antonio, filho, estás bem? Apenas silencio.
As varas e apetrechos adornavam agora a escuridão das pedras e testemunhavam a tragédia. No meio de nada de pouco valia gritar por socorro, pensou. Telemóvel não usava porque eram coisas de gente nova.
Como homem experimentado o Manuel não entrou em pânico, embora o vazio que sentia naquele momento o tenha feito fraquejar. A luz da lanterna pouco alcançava e era preciso descer. Agarrou-se como podia e ao que podia e começou a descer tremulamente. Pensava no Antonio e no orgulho de ser pai. Continuou a chamá-lo na esperança de um murmúrio. Já perto do mar, só um farrapo das calças denunciava a local da queda. Voltou a chamar. Antonio, filho, diz-me que está bem. Por essa altura já as lágrimas se lhe misturavam com o suor do esforço em se manter agarrado á vida. Pareceu-lhe ouvir um gemido. Apontou a lanterna a um buraco esculpido pelo tempo e suspirou de alívio. O Antonio abraçava uma pedra ensanguentada como se agarrasse o futuro. Balbuciou…Pai, estou vivo.
Hoje, pouco tempo passado, o Antonio continua a ser bom pai, um filho extremoso e é muito melhor pescador!
=D>
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