...apanha do casulo

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Carpa Real
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Re: ...apanha do casulo

Mensagem por Carpa Real »

Boas para todos os Companheiros, isto hoje está em dia de escrita...hehehe :P :P :P

A pedido do paulo (Boss) o que encontrei entre muitos artigos foi este endereço que fala um pouquito sobre o casulo e pode ajudar um pouco como informaçõ... :lol:

http://www.cpact.embrapa.br/publicacoes ... lar_57.pdf

Carpa Real
karva

Re: ...apanha do casulo

Mensagem por karva »

Boas pessoal, espero não chegar muito atrasado a este tema, já que tenho estado um pouco ausente nestes ultimos dias.
Já que o amigo Carlos fez um bom trabalho na parte da legislação, vou contrubuir com a minha parte ( embora de forma resumida) para aquilo que a Ciência nos diz a respeito do nosso conhecido Casulo.

Os Anelídeos

Os Anelídeos são invertebrados e englobam cerca de 12.000 espécies que colonizam todos os tipos de habitats. Incluem as minhocas-da-terra e as sanguessugas, talvez os membros mais conhecidos deste grupo, além de um grande número de outras espécies marinhas e de água doce, de cuja existência praticamente não nos apercebemos.

A maioria dos zoólogos reconhece, nos Anelideos a existência de dois subgrupos: os Poliquetas (Classe Polychaeta) e os Clitelados (Classe Clitellata), sendo estes, por sua vez, subdivididos em Oligoquetas (Subclasse Oligochaeta) e em Hirudinóideos (Subclasse Hirudinoidea).

Os anelídeos têm um papel ecológico vital. Nos ecossistemas aquáticos, sobretudo nos estuarinos e nos lagunares, oligoquetas e poliquetas são dos grupos de invertebrados mais numerosos e diversificados contribuindo directa ou indirectamente para a alimentação de numerosas espécies, algumas das quais consumidas pelo Homem.

Pela sua capacidade escavadora e pelas suas estratégias alimentares reciclam nutrientes disponibilizando-os para outros organismos. Quando surgiram pela primeira vez no Planeta, os anelídeos marinhos [(poliquetas)= (poly, muito + khaíte, pêlo)] foram os pioneiros a explorar os fundos e a libertar os nutrientes aí acumulados. Nesta sua actividade contribuíram, nessa altura, para a acumulação de dióxido de carbono na atmosfera (até então largamente consumido pelas cianobactérias na sua actividade fotossintética), o que permitiu aprisionar mais o calor do sol e assim aumentar a temperatura global do Planeta. Por seu turno, os anelídeos terrestres (oligoquetas) revolvem o solo, arejando-o, enriquecendo-o com nutrientes, contribuindo assim para tornar a Terra mais verde e florida.

Finalmente, as sanguessugas, já importantes em cirurgia (plástica e de reconstrução), poderão vir a demonstrar ainda mais o seu interesse no combate a doenças, nomeadamente cardiovasculares.

Vamos então conhecer o sub-grupo Poliquetas, na espécie que nos interessa.

Os poliquetas são bem conhecidos dos pescadores, que os utilizam como iscos, e de alguns empresários, cuja actividade se baseia na cultura de certas espécies. No entanto, a grande diversidade deste grupo é-lhes provavelmente pouco conhecida.

Os poliquetas são extremamente importantes na avaliação do estado de sanidade do Mar, Estuários e Lagoas Costeiras, não só pela sua abundância nestes ecossistemas, mas também pelas suas respostas aos diferentes tipos de poluição.

Os poliquetas (Classe Polychaeta) constituem o maior grupo incluído nos Anelídeos. As cerca de 8000 espécies apresentam uma grande diversidade de formas e estilos de vida que se reflectem nas mais de 86 famílias

Diversidade de poliquetas
Apesar da sua enorme diversidade, diferentes famílias de poliquetas desenvolveram estilos de vida semelhantes (modos de locomoção, de alimentação, habitats… ). Tal reflecte-se não só no seu comportamento mas também na sua estrutura interna e externa.

Podemos considerar sete grupos :

-Poliquetas pelágicos (ex. Vanadis)

-Poliquetas errantes (ex. Nereis, Nephthys)

-Poliquetas construtores de galerias (ex. Glycera)

-Poliquetas construtores de buracos (ex. Amphitrite, Arenicola, Capitella, Ophelia)

-Poliquetas construtores de tubos (ex. Lanice, Owenia, Chaetopterus, Spiochaetopterus, Sabellaria, Pectinaria, Diopatra, Sabella, Spirorbis, Hydroides, Melinna, Hyalinoecia, Euclymene, Riftia)

-Poliquetas parasitas (ex. Ichthyotomus), comensais e mutualistas (Siboglonidae)

Diopatra neapolitana

A espécie Diopatra neapolitana, vulgarmente conhecida por casulo, é um poliqueta tubícola que habita sobretudo nos sedimentos vasosos de baixa profundidade.

Os seus tubos são membranosos e salientam-se alguns centímetros acima da superfície do sedimento. A parte superior do tubo é muito espessa e constituída por vasa e areia, em grande parte recoberta com pedaços de concha, pedaços de algas e outros materiais existentes na proximidade do tubo. Tal permite confundi-lo com o ambiente circundante e torná-lo menos visível pelos potenciais predadores.

É um poliqueta extremamente colorido, com diversos tons de verde, vermelho, laranja, castanho, etc, mas de difícil observação, já que só abandona o seu tubo para se alimentar e nunca na maré vazia. O corpo é cilíndrico e constituído por numerosos segmentos, cerca de 200 a 300.

Esta é uma espécie abundante em certos locais da Ria de Aveiro e constitui um recurso natural importante, sendo intensamente explorada para posterior comercialização para ser utilizada como isco para a pesca.

Os poliquetas são utilizadas como alimento em pisciculturas e como isco para a pesca. Espécies dos géneros Nereis (serradela), Nephtys, Ophelia, Glycera bem como as espécies Sabellaria alveolata e Diopatra neapolitana (casulo), são as mais exploradas em Portugal. Uma estimativa relativa à captura de casulo (Diopatra neapolitana) na ria de Aveiro, canal de Mira, no período de Maio 2001 a Abril 2002 indica que, anualmente, são retirados destes bancos intertidais cerca de 45 toneladas, correspondendo a cerca de 4.400.000 indivíduos e envolvendo cerca de 350.000 euros resultantes da sua venda.

Em relação ao que foi dito, sobre o crescimento da cabeça após ser cortada, julgo que essa capacidade existe, embora desconhecida de muitos,já que todos os poliquetas têm um extraordinário poder de regeneração, podendo substituir partes do corpo perdidas ou danificadas. Este poder de regeneração, é variável, nas diferentes espécies.
Praticamente todos os poliquetas são capazes de regenerar apêndices perdidos (palpos, cirros, antenas) e parápodes (pequenos pés) e a maioria consegue regenerar segmentos posteriores do corpo. Algumas espécies, ainda, têm a capacidade de regenerar a região anterior do corpo e outras são capazes de regenerar a totalidade do corpo a partir de apenas um segmento. O sistema nervoso tem um papel fundamental na regeneração. Verificou-se experimentalmente que quando o cordão nervoso principal é danificado uma nova cabeça surge nesse local.

Em Portugal, a apanha destas espécies tem uma regulamentação e uma fiscalização muito escassa. Esta é uma situação que é urgente modificar de modo a evitar o desaparecimento das espécies e a diminuição da riqueza dos ecossistemas. A apanha revolve todo o sedimento, destruindo as espécies de invertebrados aí existentes, e cria instabilidade no sedimento não propiciando condições para o estabelecimento e desenvolvimento dos animais.


Paulo karva
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Paulo
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Re: ...apanha do casulo

Mensagem por Paulo »

Bom trabalho Paulo e Carlos...

Mas em termos de casulo... será que este consegue-se regenerar... segundo o artigo brasileiro as minhocas de que eles falam não conseguem... segundo o texto do Paulo poderá haver essa possibilidade.

É que o corte que estamos a falar é um bocado "radical" e a parte que fica é a parte de trás, se fosse ao contrário parece que fazia mais sentido a regeneração, deixar ficar a cabeça com os principais orgãos e a partir dai haver a regeneração.

Será que o casulo é uma das espécies que:
[...]e outras são capazes de regenerar a totalidade do corpo a partir de apenas um segmento
:?:
karva

Re: ...apanha do casulo

Mensagem por karva »

Viva, como eu referi em cima a grande capacidade de regeneração é atribuida ás Poliquetas (anelídeos marinhos)
enquanto o outro sub-grupo que referi e que vem descrito no trabalho Brasileiro é o dos Oligoquetas (anelídeos terrestres, embora algumas vivam em meio aquático, água doce) são coisas distintas daí até, os cientistas as terem separado em dois sub grupos.
Algumas espécies de oligoquetas também têm capacidade de regeneração idêntica aos poliquetas embora de uma maneira inferior, ou seja o corte já não pode ser em qualquer lugar, esta situação é ainda mais dificil nas minhocas de terra (Lumbricus terrestris) e nesta especifica (Eisenia foetida)que é usada para produzir o Húmus para a agricultura.

Não sei a resposta á tua última questão, a partir de um só segmento haverá uma ou outra espécie (das 8000 espécies de Poliquetas) não necessáriamente o Casulo.

Paulo karva
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Re: ...apanha do casulo

Mensagem por Paulo »

Por haver essas espécies todas é que coloquei a questão...

Em principio segundo dizes o casulo se for apanhado como foi dito tem possibilidade de regenerar.

No entanto, a possibilidade de não o fazer também fica no ar. De qualquer forma (fica o conselho) mais vale jogar pelo seguro e não extrair completamente o "bicho". :wink:
karva

Re: ...apanha do casulo

Mensagem por karva »

Humm, fica então o Conselho do Bossmas o moral da história, julgo que não era esse. não estou a ver ninguém a is apanhar só metades de casulo. :lol:

A moral da história tem a ver com a utilização da pá ou do ancinho ser preferível ao uso do sal (como disse o Nuno), já que, mesmo que cortes ao meio com a pá um casulo e retires só metade o que lá fica regenera, nascendo assim outro ser, enquanto que, se usares sal no buraco o casulo sai todo cá para fora e naquele tubo não nasce mais nada. :wink:

Ab
Paulo karva
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Re: ...apanha do casulo

Mensagem por Paulo »

Exacto Paulo era isso que queria dizer com:
De qualquer forma (fica o conselho) mais vale jogar pelo seguro e não extrair completamente o "bicho".
O conselho não fui eu que dei, e o conselho era utilizar a pá em vez do sal.
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pesca no prato
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Re: ...apanha do casulo

Mensagem por pesca no prato »

Boas, já agora e para uma melhor apanha, nunca fazer sombra para o dito canudo para o casulo não entocar e visto que o casulo geralmente está na diagonal, tem de existir o cuidado do corte com a dita pá artesanal ser na perpendicular ou pode dar-se o caso de não acertar no canudo.Em duas horas e tal, dentro do estuário podes apanhar uma média de 200 casulos, e se a coisa correr bem ainda trazes uns caranguejos de dois cascos e moles, um pouco de minhoca e ganso(bem gordos neste momento) e ai sim com um pouco de sal ou uma varinha ainda catas uns lingueirões.
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