paulo Escreveu:Pois é não me importava nada de ir, se estivesse mais perto.
Pode ser que em Agosto (final) se for aí acima ter com o Mario e o Rui dê para nos encontrarmos e fazermos uma incursão a esses locais
Mais perto da data combinamos.
E já agora bem vindo ao Sítio do Pescador.
Os meus agradecimentos ao Administrador , colaboradores e foristas , a recepção calorosa e amiga com que me brindaram nesta minha primeira participação.
Hoje em dia escrevo mais do que pesco.Mesmo vivendo a 500 mtos do mar desde miudo, a minha vida profissional não espera de mim nada mais do que a prisão e o agrilhoamento do homem livre.
As minhas narrativas são afinal a nossa parte de pescadores que somos em defrontação e luta de, e não só com peixes, mas com nós proprios....
Este periodo é o pior que tenho para escrever.Geralmente deixo isso para as noites Invernosas onde o vento assobia nos beirais e a borrasca assenta arraiais nos tapumes e lonas dos barcos pousados na areia da minha terra.. É a hora da soturnidade e a elegia da ópera dos sons do mar...É a hora de falar com Mestre Zé(meu mestre e amigo) e deixar que os seus fantasmas sobre um tampo de mármore enegrecido pelo fumo da taberna, se soltem pelo gargalo de uma garrafa...
Nunca imaginei que esta aventura cibernautica, que iniciei há dois anos me pudessem dar tantas alegrias e também tristezas.Vocês são magnificos e afinal de contas humanos, com as suas vicissitudes próprias da natureza que transportamos...Nunca saberemos tudo.O mistério é a essencia da pesca e da vida. Sem ele nada teria ou faria sentido.
Todos nós , procuramos algo.No cimo de uma falésia, sozinhos no meio do oceano, no pico mais alto da cordilheira das neves eternas, todos nós procuramos o nosso caminho e um lugar onde possamos existir afirmando o nosso espaço de viver.
Como o francês nº quinze...
Chegava numa carrinha Renault 4L,cromada nas jantes,branca com um
design nova versão, com dois frisos cinza metálicos e um logo na parte
trazeira da mala em letras garrafais vermelhas dizendo "Je T"aime France".
Logo pela manhã, encostava a sua carrinha ás palmeiras da Foz,e num
ápice montava alinhadas no paredão as suas canas Garbolino de
encolher, e cada uma apetrechada de um carreto Mitchel 96 ou 98 pro.
Num exercicio escalonado, pelos anos duros de uma linha de montagem
Renault, numa escala carregada de movimentos cadenciados, o
n/franciu,alinhava numa simetria todas as suas quinzes canas,sim
,quinze,numerrro quenze, em tom acentuado das Beiras cruzado com as
limousines das Normandias com um vache qui ri á mistura.
Quinze pacotes de casulo, quinze pacotes de bicha do lodo,e uma bacia
enorme de caranguejo da muda, para o que desse e viesse, tudo nele era
opulencia, tinha vencido na vida.A reforma e as suas quinze canas e os
seus quinze carretos tecnologia de ponta da altura, eram o sinónimo de
vencêr na vida, o n/Beirão franciu das Beiras tinha-o merecido.
Quinze horas de labuta diaria, mais os sábados, enquanto o encarregado
Sr. Dupont,de nariz adunculo,e óculos á professor Tornesol, se
despedia num aceno com as suas canas para mais um fim-de-semana ás
trutas nos Alpes Franceses, o n/Beirão contava os dias , as horas que
faltavam para a partida.
Agora sim , podia sorrir, e num exercicio de vigilia fabril o
n/maitre,observava o horizonte alinhado da ponteira das suas canas,ao
minimo toque de um robalote, de um linguado, de uma solha, de uma
faneca e numa prontidão militar logo se cercava num salto de hora de
almoço do apito da Fábrica , com um sonante"ha c"est bon!!c"est
grande!Ha oui!!c"est grande!!
Mas com o passar do tempo o franciu,já não era notado, o peixe também
começou a rarear e aceitemos a desforra do tempo e desgaste das
maquinas, o n/Beirão franciu já não tinha a genica necessária para
montar e lançar quinze canas ao mesmo tempo, e logo com quinze fanecas
de cada vez!!
Não sei se aceitou a derrota do tempo,do rio e do mar que se encontram
todas as vezes 4 vezes ao dia, se não se adaptou ás novas tecnologias.
A sua fábrica também já fechou, as palmeiras da Foz também estão mais
velhas, o tempo esse corre lento, e o n/francês preferiu rumar á sua
aldeia das Beiras.Arrumou as canas suberbas,desfez-se dos orgulhosos
carretos,e comprou um pomar.
O sumo de uma maçã bravo esmolfe,unica no mundo,Portuguesa,numa tarde
de canicula junto a um ribeiro ocultado pelo milho alto e carvalhos
centenários, foi o prémio justo de um vencedor.
Eu quando pesco, tento sempre levar uma maçã no bolso.Enquanto penso
na vida, no Francês, sinto o gosto da vida,do prazer de viver, pelo
gosto de uma maçã Portuguesa unica no mundo.
Nunca mais vi o Francês.
Uma boa semana para todos
António Simões
(Dedicado ao Flex, e a toda a equipa do sitio do pescador)