Distinguir peixe de mar do de cativeiro

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ABEL POLICIA
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por ABEL POLICIA » quinta jul 29, 2010 8:30 am

leo76scp Escreveu:OLA A TODOS OS PESCADORES: na minha maneira de ver as coisas devias fazer como eu so como peixe pescado por mim se fizeres o mesmo nunca ades comer gato por lebre, ca em casa a maria nao se preocupa com a compra de peixe, so existe um pequeno problema as grades as vezes complicam um pouco lol... ABRAÇO E BOAS PESCARIAS A TODOS :fishcool:

A PESCA E A PROVA QUE O PARAISO EXISTE
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éna sim senhor , pois então eu fico com uma duvida que é:

E comes quantas vezes peixe por semana lá em casa ??? :hummm: :hummm: :hummm:

Eu pessoalmente por essa ordem de opção , teria muito tempo sem comer peixe .................. :hahaha: :hahaha: :hahaha:



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leo76scp
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por leo76scp » quinta jul 29, 2010 7:04 pm

BOAS A TODOS OS PESCADORES: nao quero dizer que tiro peixe todos os dias mas quando vou e tenho a sorte de tirar tenho uma arca congeladora onde o armazeno com as devidas datas para quando for la buscar saber sempre quais os mais antigos e mais recentes, repara nao tou so a falar de robalos mas sim de robalos, linguados,solhas,fanecas,sargos etc... pesco a boia fundo ou corrico depende da circunstancia e da altura do ano vou tentando adaptar as tecnicas as condiçoes do dia de pesca neste caso da noite que por norma so pesco de noite, como ves e possivel ter peixe em casa basta guardar do riso para o choro, se na maioria dos casos o pessoal compra peixe congelado e outras vezes compra pensando que e peixe fresco e tem saido do gelo porque nao eu congelar em casa assim sei sempre o tempo de gelo que o peixe tem, uso como pratica congelar sem tirar a escama nem limpar para manter mais tempo e nao perder qualidades por causa do gelo.ABRAÇO E BOAS PESCARIAS A TODOS :fishcool:

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Josy
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por Josy » segunda nov 15, 2010 1:56 am

Cumprimentos , sou um membro novo do site e em relação a essa distinção para mim é óbvia em relação aos robalos e ás douradas, que são os peixes que mais pesco, vejo logo ainda nem sei bem como de tão evidente que se torna, mas o aspecto mais significativo tem a ver com as escamas, o seu aspecto é completamente diferente. Relativamente aos outros não faço ideia mas prometo que vou analisar o assunto pois, por motivos profissionais, tenho muito contacto com as lotas. Queria ainda dizer para terem cuidado com os peixes ditos de aviário, isto porque, não havia legislação especifica para os suplementos incuidos na alimentação dada a estes peixes, não sei se actualmente já existe mas não tenho informação que exista, e, o que se passa , é que para prevenir quaisquer doenças são adicionados aos alimentos antibióticos com principios activos que foram proibidos nos humanos e que as farmacêuticas aproveitam para venderem e que, claro, para os produtores são muito mais baratos. Soube isto porque à poucos anos um amigo meu arranjou emprego precisamente em vendedor destes produtos e disse-me que eles eram vendidos para serem adicionados á alimentação dos peixes pois nenhum empresário do ramo está para assim de repente ver morrer um tanque inteiro com vários milhares de euros em peixe.
Quanto ao tamanho eu não iria por ai pois já começam a apareçer tanto douradas como robalos de aviário bem maiores pois eu vejo-as á venda na lota e ai não se precisa sequer de saber destinguir pois apareçem como peixes de aquicultura. Como nota final digo ao amigo que se quiser saber tudo sobre variedades de diferentes peixes , saber destinguir , saber o estado de conservação dos peixes, se foram apanhados á linha, se ao aparelho, ou pelas redes,e tudo só pelo seu aspecto , ninguém sabe mais disso que os compradores de peixe na lota que tem o olhar mais fino que já me foi dado a observar sobre os peixes.
Felizes pescarias.

ricardomf
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por ricardomf » segunda nov 15, 2010 12:01 pm

Boas pessoal,
se quiserem destinguir uma dourada de mar de uma de viveiro basta repararem nos dentes das mesmas.
A dourada de mar tem os dentes mais arredondados, devido ao desgaste que esses tem ao derreterem coisas rijas (ouriços, mixelhão, ...).
As douradas de viviero tem os dentes mais bicudos, porque a comida que le dão (farinha) não chega para desgastar os dentes devido a não ser rijo.

Um abraço



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Lmagina
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por Lmagina » terça out 15, 2013 12:58 pm

Boas!

Em primeiro lugar, peço desculpa por desenterrar este tópico já muito antigo, mas senti a necessidade de explicar algumas das coisas que aqui foram ditas.

Quero deixar bem claro que não tenho qualquer ligação à indústria da aquicultura enquanto negociante, mas apenas enquanto investigador ligado à área da Patologia.
Como qualquer um de vós, gosto de pescar (apesar de o fazer há muito pouco tempo) e gosto de peixe selvagem. No entanto, não tenho qualquer problema em comer peixe de cativeiro.

Efetivamente, e como foi dito num post anterior, antigamente não havia qualquer tipo de legislação ou controlo sobre o peixe produzido em aquicultura. Foram feitas autenticas monstruosidades, especialmente por gente que não tinha qualquer conhecimento científico. De há uns anos para cá, a legislação (especialmente a nível europeu) tornou-se ampla e bem definida. De tal maneira, que é, agora, muito mais rigorosa e restritiva que a legislação, por exemplo, para a suinicultura ou avicultura. Como exemplo, tratamentos usados antigamente como o verde de malaquite (contra parasitas) ou antibioterapia são agora proibidos.
O antibiotico é, neste momento, a última solução a ser usada, sempre em tanques com sistema próprio e fechado (para a àgua poder ser tratada antes de voltar para o rio/mar) e em doses muito menores do que era antigamente. Esta solução necessita de monitorização e autorização veterinária, já que é feito antes da prescrição um antibiograma para se saber qual o antibiótico específico a utilizar, e os peixes sujeitos a este tratamento, ficam obrigados a um largo período de tempo de quarentena, já que é proibido qualquer rasto de antibiotico no peixe que entra no mercado.
Com toda a investigação que foi feita, observou-se que a vacinação e a precaução eram as melhores soluções para qualquer doença que pudesse aparecer.
Neste momento, os tratamentos mais usados na aquicultura de água salgada são, por exemplo, no caso de parasitas, o choque osmótico (os peixes são mergulhados durante uns segundos em água doce) ou tratamento com peróxido de hidrogénio (a comum água oxigenada), sendo esta eficaz contra parasitas, fungo e até bactérias.
A alimentação dos peixes foi, e é, alvo de grande investigação a nível mundial. Se antigamente era no sentido de arranjar o melhor equilíbrio nutricional para os peixes (ainda estão em estudo para algumas espécies, principalmente para as planas), hoje em dia o grande foco da investigação é a tentativa de substituição de aminoácidos animais por aminoácidos vegetais. De qualquer maneira, em nenhuma alimentação, há qualquer vestígio de antibióticos, sejam eles de que natureza forem. Até porque se os houvesse, com a ingestão contínua, os peixes desenvolveriam resistências à substância ativa, perdendo, assim, o seu efeito se ou quando fosse necessária. Se alguém usou este tipo de tratamento, efetivamente, não sabia o que estava a fazer!
Em suma, o peixe de aquicultura, a nível sanitário, chega ao mercado com uma qualidade excepcional.

Em relação à diferença entre peixe selvagem e de aquicultura, ela não é assim tão evidente como foi aqui dito. Se, para a aquicultura intensiva (feita em grandes jaulas, com cargas de peixe extremamente elevadas e apenas com alimentação fornecida), é realmente evidente, por exemplo, a falta da mancha dourada na dourada ou até as escamas, para a aquicultura semi-extensiva ou extensiva (habitualmente feitas em tanques de terra), já quase não é possível distinguir, já que, como as cargas de peixe são muito menores e os peixes, alem da alimentação fornecida, têm acesso a alimentação natural, tanto a nível de côr como os dentes são, em tudo, idênticos aos selvagens.
A uniformidade de tamanho será sempre a melhor maneira de identificar se o peixe é proveniente de aquicultura ou não. Já agora, esta uniformidade de tamanho, deve-se ao facto que desde (e principalmente) juvenis, os peixes são triados/calibrados, separando-se o peixe por tamanho em tanques distintos. Isto deve-se ao facto de que os peixes, tal como os mamíferos, têm ritmos de crescimento diferentes e, deste modo, evita-se que os maiores comam os mais pequenos.

Por último, e em relação ao sabor do peixe, é natural que haja diferentes opiniões. No entanto, é a gordura do peixe que lhe confere o sabor. O peixe de aquicultura é um peixe que gasta menos energia a nadar do que o peixe selvagem, daí ser sempre mais gordo. Ora, é nesta gordura que estão os ácidos gordos polinsaturados (os omega3 e omega6) dos quais tanto se fala, daí a sardinha e a cavala serem, dos peixes de mar, aqueles que são mais benéficos para a nossa saúde. Como nós não conseguimos sintetizar naturalmente estes ácidos, é, para nós, a alimentação a única fonte. Resultado: no fundo, o peixe de aquicultura acaba por ser mais benéfico para a nossa saúde, já que nos fornece maior quantidade de ácidos gordos polinsaturados.
Já agora, a DECO fez um teste cego. As pessoas provavam 2 peixes cozinhados da mesma forma e tinham de apontar o que mais gostavam. Por incrível que pareça, quando o psicológico não faz das suas, por não haver a sugestão das farinhas na alimentação dos peixes, os resultados foram os seguintes:
Truta: 80% preferiram o sabor dos peixes de aquicultura; 20% de rio
Robalo: 60% preferiram os de aquicultura; 40% de mar
Dourada: 50% preferiram os de aquicultura; 50% de mar
Pregado: 40% preferiram aquicultura; 60% de mar
Como disse mais acima, esta diferença deve-se ao tempo em que as espécies são cultivadas e à investigação feita na sua alimentação, sendo que a truta é cultivada há muito mais tempo que o pregado, que é bastante recente.

Espero ter tirado algumas dúvidas em relação à aquicultura. Não me alongo mais, que já devem estar fartos de me aturar.
Deixo só um vídeo de uma reportagem sobre aquicultura no nosso País muito, mas muito interessante mesmo.
http://www.youtube.com/watch?v=C-xTSEHKNRA

Abraço

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Beto_Manja
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por Beto_Manja » terça out 15, 2013 2:17 pm

Boas,

Bom post!
Muito elucidativo e informativo, parabens!

Quanto à escolha das pessoas no teste cego, muitas delas nunca comeram peixe de mar...
O peixe de aviário como é juvenil tem uma textura tenrinha e a tal gordura (de nunca ter feito nada na vida! :hahaha: ) e isso "engana" a pessoa comum, um entendido não se deixaria levar...penso eu de que... :hummm:

Não ponho em causa a qualidade do peixe de aquário e acho que é uma solução para a maioria das pessoas poderem ter uma refeição saudável a um preço que só era acessível comendo carne de porco ou aves...
Quanto a mim, enquanto puder, vou sempre preferir o meu peixinho! :join:

Cumprimentos,
Roberto

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Lmagina
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por Lmagina » terça out 15, 2013 2:33 pm

Muito obrigado!
Beto_Manja Escreveu: Quanto à escolha das pessoas no teste cego, muitas delas nunca comeram peixe de mar...
O peixe de aviário como é juvenil tem uma textura tenrinha e a tal gordura (de nunca ter feito nada na vida! :hahaha: ) e isso "engana" a pessoa comum, um entendido não se deixaria levar...penso eu de que... :hummm:
Tens toda a razão! Há muita gente que nunca provou peixe de mar. E a tendência é para aumentar este número... Neste momento, cerca de 50% do peixe consumido a nível mundial é de aquicultura, com tendência a crescer, devido ao declínio da pesca. A FAO prevê, continuando as coisas como estão, a depleção dos stocks de pesca em 2050. Portugal, como 3º país do mundo com maior consumo de peixe per capita por ano (ca. de 60kg), importa quase 70% do pescaso consumido. Este número só pode baixar com o aumento da aquicultura no nosso país, já que o stock de algumas espécies não aguenta o aumento da quota pesqueira. Já agora, deixo a informação que, mesmo para aquicultura, os juvenis são importados de Espanha e França, já que não existe nenhuma maternidade (para fins comerciais) de peixe de mar em Portugal (só existe de truta) e, por incrível que pareça, foi uma portuguesa, a primeira pessoa a nível mundial a conseguir reproduzir com êxito o linguado.
Beto_Manja Escreveu: Não ponho em causa a qualidade do peixe de aquário e acho que é uma solução para a maioria das pessoas poderem ter uma refeição saudável a um preço que só era acessível comendo carne de porco ou aves...
Quanto a mim, enquanto puder, vou sempre preferir o meu peixinho! :join:
Eu, como tu, enquanto puder pescar e ter a sorte de trazer para casa um peixinho, também vou aproveitar! Quanto mais não seja, pelo gozo de estar a comer algo pescado por mim! ;)

Cumprimentos

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krazy_dude
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Re: Distinguir peixe de mar do de cativeiro

Mensagem por krazy_dude » sexta out 18, 2013 8:58 am

Muito bom Luís... está 5 estrelas mesmo =D>
Grande partilha :fixe:
já me tiraste umas boas duvidas... ou melhor tens-me tirado :P
Abraço :fixe:



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