Espécies perigosas

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Paulo
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Espécies perigosas

Mensagem por Paulo » sexta jun 19, 2009 11:07 am

Este artigo foi-me enviado para publicação no Sítio pelo Oceanus (Fernando Encarnação)

Obrigado Fernando. :fixe: :fixe: :fixe:


Espécies perigosas

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INTRODUÇÃO

Tanto em casa como no exterior, estamos sujeitos a picadas ou mordeduras de animais, que podem inocular diferentes tipos de veneno, sendo que alguns são tóxicos para o nosso organismo. Outros apenas afectam as pessoas alérgicas a um determinado veneno animal, sendo perfeitamente tolerado pela maioria.

Assim e porque encontramos animais perigosos também no mar, quero alerta-vos para alguns deles, com ênfase nos que, nas nossas jornadas de pesca, encontramos com regularidade.

Este alerta é extensivo àqueles que embora não pesquem, interagem com o mar e podem também eles estar sujeitos aos perigos que a Natureza nos reserva.

Urge identificar os perigos para que possamos lidar com eles de forma a elimina-los ou pelo menos, minimiza-los.

PREVENÇÃO:

a) Evite o contacto.
b) Não meta a mão ou o pé em buracos entre as rochas ou debaixo de pedras sem se assegurar previamente de que não há nenhum animal.
c) Se notar um sobre as suas roupas, afaste-o com um jornal enrolado ou outro objecto, nunca com a mão.
d) Durante a noite no caso da captura de um peixe, assegure-se de que espécie pertence e tenha cuidado com a forma como o agarra.
e) Não ande descalço entre as rochas situadas na orla marítima ou na praia.
f) Mantenha uma distância cómoda de segurança quando lida com certas espécies de exemplares, principalmente atenção ao seu manuseamento.
g) Os ferimentos provocados pelo peixe podem ocorrer mesmo com ele já morto, ao amanhá-lo ou manuseá-lo.

ESPÉCIES QUE MORDEM OU TRITURAM:

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- MOREIA (Muraenidae): Algumas espécies poderão chagar aos 3 m de comprimento e 30 cm de diâmetro, estamos perante uma "ginasta" extremamente perigosa, embora só ataque quando é provocada ou ameaçada, situação claramente verificada quando é capturada, pela forma e ataque ofensivo que apresenta, chegando a morder-se a ela própria, deveremos ficar atentos às suas movimentações e longe dos seus aguçados e perigosos dentes, pois do seu ataque resultam feridas dilaceradas que infectam á posterior.

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- SAFIO (Conger conger): Possuem um maxilar muito potente que tritura facilmente os delicados dedos das nossas mãos se de um bom exemplar se tratar. Depois de morderem circulam pelo seu próprio corpo em movimentos rotativos.

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- TUBARÃO: A sua boca é guarnecida com poderosos maxilares e dentes completamente aguçados e cortantes, a sua pele também é abrasiva. Apenas algumas espécies, cerca de 30, das conhecidas 350, terão atacado o Homem, será de salientar os tipos de ataques que esta espécie poderá causar, é agressivo de forma a afastar do seu território ou zona qualquer intruso e em caso de persistência parte para a agressão de facto.

Algumas espécies apresentam um poder de dentada/maxilar de 1 Ton/cm2.

Usada pelo grande tubarão branco, a dentada e espera é uma táctica letal, embora outras subespécies a possam utilizar, consiste na dentada/ataque e consequente espera até que as vitimas se esvaíram em sangue.

Devido às lesões causadas pelo contacto com a pele abrasiva dos tubarões o contacto com a sua pele pode causar danos. O delírio é quando vários tubarões atacam a mesma vítima chegando a atacar-se uns aos outros nessa fase.

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- PEIXE-PORCO/PAMPO (Balistes Carolinensis): Possui uns dentes muito afiados e um maxilar muito potente, em caso de dentada nos membros superiores originará danos severos.

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- NAVALHEIRA (Necora puber): Como quase toda a maioria dos crustáceos possui duas pinças fortes, sendo as mais volumosas observadas nos machos, a Navalheira é sem duvida uma das mais conhecidas das nossas águas pela forma e génio que responde quando se sente ameaçada, poderá causar bastante dor quando exerce a sua força de pinças nos nossos membros superiores, poderá também causar unhas negras ou pequenas feridas, dependendo da forma e local onde morde.

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- BARRACUDA (Sphyraena Barracuda): São animais predadores, munidos de dentição muito perigosa e aguçada, como tal será imperativo mantermos os membros superiores afastados da sua boca.

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- ANCHOVA (Pomatomus Saltatrix): São igualmente animais predadores similares à Barracuda, munidos de dentição bastante aguçada e potentes maxilares, deveremos ter os mesmos cuidados e não colocar os membros superiores perto da sua dentição.

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- POLVO (Cephalopoda): Não são agressivos para os humanos, mas devemos por norma manter mo nos longe dos seus dois dentes similares aos de um papagaio, são poderosos pois são utilizados pelos mesmos para partir mexilhão e outros bivalves.

PRIMEIROS SOCORROS:

Poderão variar efectivamente, pois dependendo do tipo de dano ou lesão que poderão causar, assim será o primeiro socorro, embora exista uma forma básica de intervenção que será;

- Colocar a vítima num local seguro;
- Lavar a zona afectada;
- Desinfectar a zona afectada;
- Parar a hemorragia;
- Imobilizar ao máximo a vítima;
- No caso de mordedura venenosa, fazer uma ligadura compressiva no sentido de evitar que o veneno se espalhe;
- Procurar assistência médica urgente (112);

ESPÉCIES QUE PICAM:

São espécies que provocam dor ou incapacidade por possuírem veneno em ferrões, espinhas ou maxilares munidos de dentição aguçada e bastante perigosa.

Eventualmente algumas espécies só aplicam o seu veneno quando são atacadas, já outras aplicam o seu veneno ofensivamente e não em caso de contra-ataque/defesa.

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Rascasso (Scorpaena Porcus)

Nas nossas águas oceânicas existem algumas espécies bastante conhecidas pela sua abundância por toda a costa embora infelizmente sejam conhecidas das vítimas pelo facto de introduzirem veneno bastante doloroso no Homem, como é o caso do Peixe-aranha (Trachinus Vipera) ou o Rascasso (Scorpaena Porcus), no caso do Rascasso poderá causar ferimentos dolorosos, sangrentos e graves inflamações com as suas picadas.

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Peixe-aranha (Trachinus Vipera)

No caso do peixe-aranha, o penso ou a almofada térmicas e o spray de cloreto de etilo (anestésico) são bem mais práticos que a água quente, quer na pesca ou no simples lazer de observação da fauna e flora das zonas de acção de marés inter-tidal.

O penso térmico e a almofada de gel reutilizável podem ir na mochila, o spray pode estar numa bolsa de primeiros socorros no carro ou ir na mochila, apesar de que tudo isto poderá ser evitado se manusearmos correctamente os exemplares, ou utilizarmos sempre calçado de protecção.

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-OURIÇOS DO MAR (Centrostephanus Longispinus): Apenas produz dores intensas quando aos seus espinhos ao picarem a pele se partem, ficando esses pedaços alojados no nosso corpo, dependendo do local onde se alojarem darão mais ou menos dor, mas causarão algum incomodo até serem removidos ou o nosso organismo os expulsar.

O normal é que os espinhos que cobrem o ouriço-do-mar lesem a pele e provoquem danos e inflamação, e não forem extraídos, os espinhos afundam-se mais, provocando inflamação crónica, ou formam quistos.

Os espinhos dos ouriços-do-mar deverão ser extraídos de imediato, o vinagre dissolve a maioria dos espinhos dos ouriços-do-mar, é provável que seja suficiente aplicar várias compressas ou banhos de vinagre.

É necessário lavar cuidadosamente a zona que rodeia a ferida e colocar um unguento que combine anti-histamínicos, analgésicos.

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- RATÃO (Dasyatis Centroura): O Ratão como vulgarmente é conhecido, apesar de existirem numerosas subespécies, possui um espigão que têm no meio da cauda que o utiliza quando se sente ameaçado ou em defesa.

Já ocorreram bastantes vítimas que foram atingidas mortalmente pelo seu ferrão.

O veneno da raia encontra-se num ou em vários dos espinhos que tem na parte posterior da cauda.

A dor pode limitar-se à zona que rodeia a picada, mas muitas vezes alastra rapidamente e atinge a sua intensidade máxima em menos de 90 minutos. Se não for tratada, costuma manter-se, mas diminui gradualmente num período de 6 a 48 horas.

É frequente a pessoa sofrer enjoos, fraqueza, náuseas e ansiedade.

ESPÉCIES QUE CORTAM:

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São espécies que provocam dor ou incapacidade por possuírem uma forte e fina "alheta" (osso da cabeça que protege as guelras externamente), que poderá provocar grandes e profundos cortes nos membros superiores, por exemplo podemos salientar como o conhecido Robalo (Dicentrarchus Labrax), possuem lâminas afiadas na zona na cabeça, que produzem golpes profundos e muito dolorosas.

ESPÉCIES TÓXICAS POR CONTACTO:

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Caravela Portuguesa (Physalia)

As picadas das Caravelas Portuguesas tem provocado a morte de algumas pessoas.

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ALFORRECAS E CARAVELA PORTUGUESA: Provocam inflamações, ardores, comichão, inchaços no caso de serem locais, embora organismos diferentes possam seriamente ser mais vulneráveis a estes contactos e poderão originar insuficiências respiratórias ou até mesmo a própria morta.

Existindo algumas espécies desta família as que mais se destacam pela sua perigosidade é a Caravela Portuguesa (Physalia). O que provoca os ferimentos são os seus tentáculos, com células urticantes, que em contacto com a pele produzem um ferimento tipo queimadura, basta tocar-lhes levemente para que o veneno se propague por contacto, espalhando-se rapidamente.

A primeira sensação é uma dor intensa de picada e ardor. O membro picado fica entorpecido e, ao fim de algum tempo, surge comichão e urticaria. A gravidade da picada depende do tempo de contacto e da quantidade de tentáculos nela envolvidos.

TRATAMENTO:

- Pôr água do mar (não doce) sobre a ferida.
- Eliminar os tentáculos com um instrumento ou então com a mão enluvada.
- Empapar a zona lesionada com uma solução de água e vinagre em partes iguais durante 30 minutos.
- Polvilhar farinha ou bicarbonato de sódio sobre a ferida e depois raspar cuidadosamente com uma faca afiada.
- Empapar novamente a zona com vinagre.
-Aplicar um unguento que combine anti-histamínicos, analgésicos

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-ANÉMONAS (Anemonia Sulcata): Toda a nossa faixa litoral rochosa pode encontrar estas espécies que quando são tocadas nos seus tentáculos urticantes poderão originar reacções locais ligeiras como o inchaço e comichão.

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-TREMELGA OU RAIA ELÉCTRICA (Torpedo Torpedo): Pode dar descargas eléctricas que poderão atingir os 220 Volts, poderá portanto originar um desmaio com a sua descarga

PRIMEIROS SOCORROS:

Poderão variar efectivamente, pois dependendo do tipo de dano ou lesão que poderão causar, assim será o primeiro socorro, embora exista uma forma básica de intervenção as substâncias tóxicas que estes seres nos injectam são na sua maioria termolábeis (neutralizadas pelo calor), como tal deveremos;

- Colocar a vítima num local seguro;
- Parar a hemorragia (se for o caso), desinfectar a mesma ou lava-la;
- No caso das alforrecas é importante não tocar na zona atingida devido às partículas urticantes, deverá ser lavada com água, em seguida a zona afectada deverá ser imersa em água muito quente (45ºC aproximadamente), devendo ter o cuidado de introduzir parte do corpo circundante à zona afectada de forma que o acidentado tenha a percepção da temperatura e não sofra uma queimadura secundária.
- Como alternativa a utilização de vinagre na zona afectada é uma boa solução.
- Em casos mais graves deve procurar assistência médica urgente (112);

NOTA FINAL:

Convêm desmistificar a ideia que urinar nas feridas, queimá-las com um cigarro ou dar umas pauladas serve para eliminar a dor.

A urina contém acido úrico entre outros componentes que em nada facilitam a minimização da dor, apesar de ser água quente.

O cigarro atinge vários graus de temperatura (800 a 1200 graus célsius de temperatura da brasa da ponta do cigarro), onde inúmeras substâncias se combinam, desencadeando o aparecimento de novas substâncias, por pirólise ou pirossíntese (reacções químicas a altas temperaturas), ora a estas temperaturas não será boa ideia no local de uma ferida ou perfuração causar uma queimadura bastante grave.

Por fim, dar pauladas no local de uma ferida ou perfuração só vai causar mais afluência de sangue ao local do dano, ou causar o chamado "sangue pisado", podendo espalhar ou acentuar claramente o veneno pelo corpo.

Por outro lado deveremos ter em atenção o manuseamento de determinados exemplares devido ao seu muco ou segregações que em caso de contacto com os olhos poderão causar algum incomodo ou mesmo alguns danos.

Fotos: ( http://www.fishbase.org )

Fernando Encarnação



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paulo robalo
Mensagens: 187
Registado: segunda abr 20, 2009 12:15 pm

Re: Espécies perigosas

Mensagem por paulo robalo » sexta jun 19, 2009 12:24 pm

Excelente Artigo :aplau: :aplau: :aplau: :aplau:

Um Abraço

:fixe:

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aranha
Utilizador Regular
Mensagens: 8380
Registado: segunda fev 13, 2006 6:38 pm

Re: Espécies perigosas

Mensagem por aranha » sexta jun 19, 2009 3:15 pm

excelente, obrigado pela partilha :fixe:
=D> =D> =D> =D> =D>

Fabio Batista
Mensagens: 17
Registado: quinta mai 14, 2009 5:51 pm

Re: Espécies perigosas

Mensagem por Fabio Batista » sexta jun 19, 2009 5:22 pm

Simplesmente espectacular. =D> .

Agora estaremos todos informados. :fixe: .
Um abraço e boas pescarias. :beer: .



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pedrolourenco79
Utilizador Regular
Mensagens: 5929
Registado: sábado jul 29, 2006 12:16 pm

Re: Espécies perigosas

Mensagem por pedrolourenco79 » sexta jun 19, 2009 7:22 pm

fantastico Fernando =D> =D> =D> =D> =D> =D>

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Ramiro
Utilizador Regular
Mensagens: 6148
Registado: sexta out 01, 2004 11:00 pm

Re: Espécies perigosas

Mensagem por Ramiro » sábado jun 20, 2009 9:45 am

Uma excelente compilação de dados, que por norma se encontram dispersos. =D>

Um Guia a guardar. :fixe:

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TALIBAN
Utilizador Regular
Mensagens: 11504
Registado: sexta abr 10, 2009 10:25 am

Re: Espécies perigosas

Mensagem por TALIBAN » sábado jun 20, 2009 8:57 pm

Boas pescarias.
Mais um excelente trabalho, com as fotografias a ilustrar, ao qual só se pode dar nota 20. :fixe:
Boa continuação.

brasil
Mensagens: 1
Registado: segunda out 06, 2008 9:39 am

Re: Espécies perigosas

Mensagem por brasil » segunda nov 16, 2009 12:01 pm

e por estes motivos que estão de parabéns, relatar, e ensinar coisas importantes. para um lazer seguro valeu



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