SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

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sabinonet
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por sabinonet » domingo dez 22, 2013 4:09 pm

Viva

Sou completamente de acordo, que devia haver um tópico fixo, que tratasse exclusivamente de segurança nas diversas vertentes da Pesca

Faz-me confusão quando vejo pessoal contra o uso dos coletes, porque são desconfortaveis, não dão geito, são caros, sei nadar bem, as desculpas são mais que muitas e depois vimos noticias como estas de ontem, o pessoal ainda não se mentalizou que com a vida não se brinca

Resta-me apenas dar os meus profundos sentimentos ás familias e amigos dos pescadores que ontem faleceram

abraço



Josy
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por Josy » domingo dez 22, 2013 5:52 pm

Continuação PARTE-2
Boas,

1- COLETES

Em termos simples a legislação veio obrigar que a pesca embarcada se faça de colete quer para profissionais quer para desportistas no entanto este acessório está muito longe de ser útil, e inúmeras vezes determinante, apenas para a pesca embarcada, pode servir para o caso de queda de uma arriba, para o caso de uma escorregadela ou arrastamento pela ondulação em molhes, pontões, no spinning etc…


Os coletes são dos principais acessórios de segurança de que todos temos conhecimento e dividem-se em vários tipos existindo uma classificação internacionalmente aceite como sendo dos tipos 1, 2, 3, 4 e eventualmente 5.

Para as crianças, pessoas portadoras de deficiência e animais existem coletes especificamente apropriados.

Aqui vou tratar dos 3 primeiros pois são os mais relevantes e cuja classificação é mais consensual. A nossa escolha deve sempre recair num munido de apito e de fitas reflectoras SOLAS (Safety Of Life At Sea – Convenção internacional para a salvaguarda da vida humana no mar);

1.2- TIPOS

Tipo 1 – Navegação oceânica normalmente asseguram uma maior flutuabilidade, água abertas, mar revolto onde o socorro possa ser mais demorado, asseguram a manutenção da pessoa voltada de rosto para cima ainda que em caso de inconsciência, fornecem uma sustentação entre acima de 150 Newtons e, geralmente, 275 N;

Tipo 2- Para actividades marítimas em geral, águas calmas, navegação costeira, águas interiores ou onde possa haver boas probabilidades do socorro ser rápido, asseguram que a maior parte das pessoas fique na posição de rosto para cima ainda que em caso de inconsciência, isto no caso de serem sólidos ou auto insufláveis. Não é aconselhado para situações em que se esteja muitas horas em condições de mar revolto, sustentação 150 N;

Tipo 3 - Também internacionalmente designados de auxiliares de flutuação, para actividade embarcadas em geral ou especificas segundo a rotulagem do produto tais como, Ski aquático, pesca, caça, canoagem, sempre em águas interiores ou zonas abrigadas em condições de bom tempo e onde seja elevada a probabilidade de rápido socorro.
São geralmente os mais confortáveis de usar, disponíveis em muitas formas incluindo fatos, casacos de flutuação além de coletes flutuantes.
Para utilizadores em estado de consciência, não garante a manutenção da posição de rosto para cima para a maior parte das pessoas. O utente pode ter que inclinar a cabeça para trás para manter a cabeça fora de água. Aconselha-se a sua experimentação prévia antes de embarcar. Não adaptado para sobrevivência em águas revoltas onde a cabeça possa estar algumas vezes coberta pela ondulação. Sustentação até 100 N.

1.3- Distinção entre coletes sólidos e coletes insufláveis.

1.3.1 - Coletes sólidos:

Vantagens: Mais resistentes ao impacto e ao contacto com objectos cortantes ou perfurantes, resultantes de destroços ou outros bem como de proximidade de rochas pontiagudas, esta vantagem torna-se maior em caso de inconsciência do utilizador, pois está impossibilitado de se afastar dos mesmos.
Aconselháveis para quem não saiba nadar ou para pessoas mais susceptíveis de entrar em pânico.
Situações de inconsciência.
No caso de ser o único tripulante a bordo em embarcação totalmente aberta.
Aconselháveis para pessoas com problemas específicos de saúde que possam ditar inconsciência súbita.

Inconvenientes: Geralmente incómodos, mais pesados e volumosos, restringem os movimentos. Totalmente desaconselháveis de usar quando dentro da super estrutura da embarcação ou do seu convés inferior pois existe uma grande probabilidade de impossibilitarem o seu abandono no caso da embarcação virar ou afundar rapidamente uma vez que funcionam como "constantemente insufláveis".

1.3.2. - Coletes Insufláveis

Vantagens: Práticos, cómodos, mais leves e menos volumosos, permitem uma muito maior liberdade de movimentos.

Inconvenientes: Exigem manutenção/verificação de acordo com as indicações do fabricante que em qualquer dos casos a ser feita no mínimo anualmente. Menor resistência ao impacto e ao contacto com objectos cortantes ou perfurantes, resultantes de destroços ou outros bem como de proximidade de rochas ou objectos pontiagudos. Contudo a evolução tecnológica permitiu entretanto minimizar bastante este problema na gama alta são feitos com fibras resistentes á abrasão e ao impacto, podendo possuir ou não dupla câmara e duas garrafas de Co2.
Desaconselháveis a menores de 13 anos.

1.3.2.1- Com Insuflação Manual

Vantagens: São os únicos aconselháveis para uso quando em permanência dentro da super estrutura da embarcação ou do seu convés inferior.

Inconvenientes: Desaconselháveis para quem não saiba nadar ou para quem possa ser dominado pelo pânico e desespero para descobrir a pega do cordão de gatilho.
Totalmente desaconselháveis no caso de inconsciência.
Desaconselháveis para pessoas com problemas específicos de saúde que possam ditar uma inconsciência súbita.

1.3.2.2- Com Insuflação Automática

Vantagens: Para quem não sabe nadar ou para quem possa ser dominado pelo pânico evitando a luta para descobrir a pega do cordão de gatilho.
Em caso de inconsciência.
No caso de ser o único tripulante a bordo em embarcação totalmente aberta.
Pessoas com problemas específicos de saúde que possam ditar uma inconsciência súbita.

Inconvenientes: Totalmente desaconselháveis de usar quando dentro da super estrutura da embarcação ou do seu convés inferior pois existe uma grande probabilidade de impossibilitarem o seu abandono no caso da embarcação virar ou afundar rapidamente.

Continua....
Cumprimentos. :fixe:

Saturno
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por Saturno » domingo dez 22, 2013 7:34 pm

Na minha maneira de ver as coisas os coletes estão para as "actividades náuticas" como o cinto de segurança está para o automovél, ambos apresentam vantagens e desvantagens mas as vantagens são por demais evidentes.

Está na altura de parar com a sangria que se tem vindo a verificar, tragédias atrás de tragédias, pode não evitar estes dramas todos mas a minha convicção é que a taxa de mortalidade nos acidentes que temos verificado recentemente era bem menor.

A desculpa que o colete não dá jeito para pescar já começa a ficar muito curta.

Cump,
Valter

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NelsonP
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por NelsonP » domingo dez 22, 2013 9:00 pm

Josy está em grande forma. Belo Post.....Venha lá a continuação 3 :fixe:



Josy
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por Josy » domingo dez 22, 2013 11:34 pm

BoAs,
PARTE 2 continuação...
OUTRAS INFORMAÇÕES E DICAS
10 Newtons = 1 kg de flutuação (valor aproximado depende de algumas variáveis).

A performance dos coletes é negativamente afectada pelo uso de roupas pesadas, botins á prova de água e uso de roupa resistente á chuva.

Em navegação diurna é recomendável trazer num bolso um espelho, existem uns pequenos próprios e baratos, em navegação nocturna ou tempo escuro é imperativo a utilização de uma lanterna SOLAS para que mais facilmente possa ser encontrado, estudos revelam que adicionalmente estes elementos contribuem para a manutenção de uma maior sanidade mental e auto controle perante a situação.

A permanência de uma criança a bordo, além de uso de colete sólido apropriado exige a constante vigilância de um adulto.

O colete usado solto ou aberto é perigoso o fecho tem de ser firmemente fechado e não devem caber mais de 2 dedos entre o corpo e a correia.

Apenas um colete salva-vidas que esteja firmemente ajustado ao corpo poderá mantê-lo numa posição estável de costas na água.
Em caso de necessidade de abandono da embarcação o salto para a água não deve ser superior a 3 metros e efectuado com os braços cruzados por cima do colete para evitar ferimentos em especial usando coletes sólidos ou já insuflados.

A referência em matéria de segurança no mar cabe aos países nórdicos essencialmente Noruega, Dinamarca e Suécia.
EXEMPLOS E VISUALIZAÇÕES:
Num tristemente célebre acidente de avião em que este teve de amarar próximo a uma praia, grande parte dos ocupantes faleceu devido a terem insuflado o colete antecipadamente. A posterior entrada de água comprimiu-os contra o tecto e impossibilitou-os de mergulharem e saírem da estrutura do avião enquanto este se afundava. Situação de perigo aplicável aos coletes sólidos e auto insufláveis.

Um amigo que voltou a embarcação a norte das Berlengas, sem colete, tendo ido sozinho, sobreviveu porque conseguiu descalçar as galochas voltou uma ao contrário e usou-a como bóia. Tenham a preocupação de as escolher com folga apropriada.

No spinning especialmente de inverno sabe-se a facilidade com que o arrastamento pode acontecer, por um lado a areia, algo grossa num declive pronunciado fornece pouca sustentação/firmeza, por outro ondas que rebentam mesmo junto á areia e, por vezes, a uns 4 metros da entrada na água, se tanto, deixa-se de ter pé.

O meu incómodo colete de spinning, rockfishing e embarcação (verão e águas calmas)
Imagem

Outra foto do trambolho
Imagem

Um dos coletes de mar- 175 N
Imagem

Cumprimentos. :fixe:

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ffgsoares
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por ffgsoares » domingo dez 22, 2013 11:54 pm

Belo artigo amigo Josy.

Nem de propósito face aos mais recentes e tristes acontecimentos.

Acho que sim, que está na hora de repensarmos o "nosso" comportamento,... por vezes renitente, face ao mar.

Boas Festas a todos :fixe:

Josy
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por Josy » terça dez 24, 2013 12:03 am

Boas,
Parêntesis no tópico:
Na sequência do lamentável incidente ocorrido no fim-de-semana passado impõe-se um parêntesis que além de alerta a toda a navegação na área serve como homenagem ás vítimas, pois estou em crer que, como bons companheiros, seria o seu desejo fazê-lo caso estivessem entre nós.

No caso houve a lamentar o falecimento de 6 companheiros dos 7 que iam a bordo apenas tendo sobrevivido (tanto quanto sei) o mestre ou comandante da embarcação.

Referindo-me o mínimo possível quer ao caso concreto quer aos seus aspectos particulares, o presente de forma nenhuma menospreza o lamento e a consideração por eles, familiares, amigos e conhecidos, apenas considera que o alerta devido a esta zona de navegação constitui um valor maior que se sobrepõe e urge divulgar ou acentuar.

Assim que;

A navegação em condições de mar com ondulação elevada e com um período grande torna interdita a rota directa entre o Cabo Espichel e o rio Tejo, ainda que em condições de boa visibilidade.

A rota a seguir, no caso de ser possível, isto é havendo condições para retornar ao porto de origem, passará pelo afastamento da costa indo apanhar o canal de navegação (aproximação) a Lisboa no sentido sul - norte passando a oeste do Farol do Bugio numa distância bastante considerável deste ultimo indicada no Gps, até ao ponto de intersecção deste canal de navegação com linha da entrada da barra, só depois se deve mudar de rumo e seguir na sua direcção. O mesmo acontece se a navegação for efectuada em sentido contrário.
Caso tal, por circunstâncias diversas, não se afigure possível não há que hesitar, ruma-se a Sesimbra tendo o cuidado de passar no mínimo a meia milha a sul do Espichel.

A vaga com altura considerável e com período na casa dos 16 indica, em especial nesta época do ano mas não só, que as massas de água são volumosas e portadoras de uma enorme energia cinética (tanto maior quanto maior for a altura da vaga, o período e dependo das condições de vento e maré).
Enrolam bastante afastadas da costa com frequência. Destas circunstâncias fazem parte cabeços e baixios que existem ao longo de todo o percurso e que se acentuam e tornam a navegação ainda mais especialmente perigosa à medida que nos aproximamos da Costa da Caparica, por um lado, ou da Cova do Vapor no caso de rumo em sentido inverso.
Inclui ainda toda a zona entre a Costa de Caparica, Cova do Vapor e qualquer proximidade do Farol do Bugio, que, mesmo de verão e com mar calmo, aconselham cuidados, conhecimento da zona e uma prévia observação atenta do mar.

Certo dia, há uns anos atrás, em circunstâncias de mar idênticas, na parte navegável dessa interdita rota directa, as embarcações na sua maioria profissionais, avisavam todas as restantes, ou avisavam-se mutuamente, através de gesticulação que não deixava margem para dúvidas do perigo em que se incorria caso a navegação não fosse feita com a devida distância de terra.

Para qualquer das direcções que se navegasse sem essa devida distância era algo semelhante a entrar na auto-estrada em sentido contrário.

Cumprimentos.

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Panca
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Re: SEGURANÇA NO MAR - PARTE -1

Mensagem por Panca » terça dez 24, 2013 11:19 am

Excelente artigo companheiro, muito obrigado pela partilha :fixe:



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